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    FRANK

    Filme é bizarro, mas no melhor sentido possível da palavra
    Por Edu Fernandes
    15/04/2015

    Para um ator, existem personagens pelos quais vale a pena batalhar. Quando esse papel tentador o obriga a deixar a vaidade de lado e esconder seu rosto, estamos diante de uma oportunidade única. Esse é o caso do personagem-título de Frank, interpretado com maestria por Michael Fassbender (X-Men: Dias De Um Futuro Esquecido).

    Originalmente, o papel foi escrito com Johnny Depp no pensamento. Contudo, quando Fassbender soube do projeto, se apresentou aos produtores disposto a dar vida ao músico excêntrico. Frank é o vocalista e líder de uma banda de rock de vanguarda em Dublin. O grupo organiza um retiro para criar canções para um álbum inovador.

    Além do experimentalismo das músicas, o que mais chama a atenção no show é o fato do vocalista se apresentar trajando uma grande máscara. Se a afetação se resumisse ao palco, já seria inusitado o suficiente; mas o vocalista não tira o aparato da cabeça sob nenhuma circunstância.

    A história é vista pelo ponto de vista de Jon (Domhnall Gleeson, de Questão De Tempo), jovem músico que vê na banda a esperança de mudar de vida. É claro que uma figura como Frank não iria se juntar a pessoas "normais" em sua empreitada artística. Portanto, a decisão de observar os conflitos pela ótica do personagem mais "comum" foi inteligente e deixa o filme mais abrangente.

    O restante da trupe é formada por personagens estranhos, a começar pelo empresário (Scoot McNairy, de Garota Exemplar). Outro exemplo está em Clara ( Maggie Gyllenhaal, de O Ataque), que mantém uma relação conturbada com Jon – um dos alívios cômicos mais frutíferos do filme.

    Assim, tem-se uma coleção de pessoas estranhas em um retiro criativo. O roteiro sabe aproveitar o potencial dramático da premissa apresentada. A dinâmica funciona e o ritmo narrativo é apropriado.

    Quando a plateia já está habituada com o jeito de Frank e seus parceiros, Jon decide que a banda precisa se apresentar. O sucesso que seus diários em vídeo estão fazendo na internet é o motivador da mudança de rumo. A viagem para o festival SXSW no Texas e a eminência de uma aparição pública coloca Frank em crise.

    Todo cuidado dedicado na aproximação dos espectadores com os personagens permite que o envolvimento sentimental aconteça lentamente. Então, os ânimos se aprontam para receber o desfecho. Esse caminho dramático temeroso é necessário para um filme assim funcionar. Para resumir Frank em uma palavra, o termo seria "bizarro", mas no melhor sentido possível dqa palavra.