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    FRANKENSTEIN: ENTRE ANJOS E DEMÔNIOS

    Desastre é a palavra que melhor define essa adaptação
    Por Daniel Reininger
    24/01/2014

    Mais uma adaptação moderninha de contos clássicos, Frankenstein Entre Anjos e Demônios coloca o monstro criado com cadáveres em uma aventura épica no mundo de hoje. O longa segue os moldes de Anjos da Noite, porém sem a bela Selene e com trama corrida e sem graça, há pouco para salvar. A situação é tão feia que dizer que essa é a pior versão cinematográfica do conto de Mary Shelley chega a ser um elogio.

    Tudo começa com a explicação de quem é quem com monólogo bastante enfadonho, do tipo que nem mesmo videogames ruins têm coragem de realizar atualmente. Em resumo, os Demônios são equivalentes aos Lobisomens e os Gárgulas aos vampiros da franquia Underworld.  Adam Frankestein (Aarom Eckhart), por sua vez, vive uma existência amaldiçoada por séculos e é caçado impiedosamente pelas forças do mal, pois pode mudar o equilibrio da guerra.

    A premissa não chega a ser ruim, mas os problemas começam já com o protagonista. O clássico monstro ganha charme com a interpretação de Eckhart e isso não faz sentido algum. Se ele poderia facilmente viver entre a população humana e ainda ser considerado uma pessoa bonita apesar das cicatrizes, não tem porque ser tão amargurado por sua condição de aberração. Ou seja, adeus argumento básico – e boa sorte para levar o filme a sério a partir daí.

    Na verdade, o personagem é basicamente cópia de Michael Corvin, híbrido de lobisomem e vampiro de Anjos da Noite. A diferença é que Frankie não é indefeso e pode lutar sem a ajuda de uma guardiã vestida com couro apertado. A cara de pau da produção continua com Bill Nighy no papel de Príncipe Naberius - comandante demoníaco com intenções de estudar Frankenstein para criar um exército. O vilão é tão similar a Viktor (adivinhe de qual filme) que se ele começasse a sugar sangue no meio da narrativa ninguém iria estranhar.

    Além disso, o longa baseado na graphic novel de Kevin Grevioux, que também assina o roteiro, é corrido demais e com reviravoltas previsiveis. Os personagens não tem profundidade e ficam presos a arquétipos básicos e isso dificulta a identificação do espectador com qualquer lado da guerra eterna. O mais frustrante é a trama nunca explorar a origem de Adam, muito menos tentar fazer ligações com a história original de Frankenstein.

    Para piorar, o diretor Stuart Beattie (Guerreiros Do Amanhã) mantém a câmera em constante movimento e fica difícil entender o objetivo – se era esconder a ação, ele faz isso muito bem. A trilha sonora até tem algumas músicas sombrias interessantes, porém é usada à exaustão e incomoda. Ao menos os cenários góticos são bem feitos - isso quando a câmera para e nos deixa prestar atenção aos detalhes.

    Filmes como este não precisam ser elogiados pela crítica para criarem legiões de fãs. Para azar da Lionsgate – produtora de Frankenstein Entre Anjos e Demônios – esse longa não deve conseguir alavancar uma nova franquia. Dito isso, é bom lembrar que tantas outras porcarias viraram motivo de culto sem razão aparente e resta apenas torcer para que o mesmo não aconteça dessa vez.