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    Ryan Reynolds dá show e 'Free Guy' é melhor filme sobre videogames já feito

    Ator de Deadpool encara um personagem não jogável que descobre que existe mais no mundo que vive
    Por Daniel Reininger
    18/08/2021 - Atualizado há cerca de 1 mês

    Hollywood vive de adaptações e franquias, então é sempre bom ver algo novo nascer, mesmo que eventualmente essa novidade dê origem a infinitas sequências. É o caso de Free Guy, no qual Ryan Reynolds dá vida nova aos filmes sobre videogame com uma comédia de ação divertida, audaciosa e cheia de referências do mundo pop.

    Com Deadpool, Reynolds trouxe algo novo para os filmes de super-herói, agora ele tenta redimir os longas sobre games com uma produção hilária, que mesmo sem ser baseada em nenhum jogo específico, traz o melhor dos jogos para as telonas.

    Free Guy é ambientado em um inventivo e fictício mundo digital, onde Guy (Reynolds) é um NPC (personagem não jogável) que se torna consciente e começa a questionar as regras do mundo violento ao seu redor. 

    Reynolds é engraçadamente otimista no papel de Guy, feliz com sua vida simples em Free City, mesmo se o banco onde trabalha é invadido por ladrões armados diversas vezes por dia. Sua alegria complacente desaparece quando ele conhece uma garota chamada Molotov Girl (Jodie Comer) e se torna obcecado por ela.

    Determinado a conseguir a garota dos seus sonhos, Guy rouba os óculos de sol de um dos personagens controlados por pessoas e passa a ver Free City como os jogadores veem, cheio de power-ups, lojas e missões, referência perfeita ao mundo dos videogames.

    A trama é uma mistura de Uma Aventura Lego e O Show de Truman, com influência de jogos como Super Mario Bros., Grand Theft Auto e Fortnite. Todas essas referências, junto com boas participações especiais, tornam o filme um apanhado de fan service. É inegável a diversão em caçar cada referência.

    A dinâmica do filme é muito clara, as risadas precisam ser constantes e o diretor Shawn Levy cativa com a ação em primeiro plano enquanto arranca sorrisos com as cenas de carnificinas aleatórias ao fundo. Um bom exemplo é quando Guy passeia pela calçada com um sorriso no rosto, enquanto um tanque esmaga os carros atrás dele sem grandes consequências. Esse contraste entre calmaria e caos rapidamente estabelece o mundo maluco da Free City de forma hilária.

    Para muitos, Reynolds tem feito o mesmo papel desde Deadpool, mas a verdade é que ele achou sua forma de atuar: com leveza independente do papel. É por isso que ele é o protagonista perfeito para esse filme. E fica claro desde o começo que Reynolds deixa de lado o Deadpool dentro dele para interpretar um romântico infinitamente otimista e honesto. A alegria de Guy é estimulante e é possível ver o ator empolgado com o papel.

    E é inegável que o filme funciona em grande parte pela presença de Reynolds e seu timing cômico afiado. Seu carisma caótico lembra Jim Carrey, que se tornou um ícone da comédia nos anos 90. O cara realmente domina cada cena na qual está presente.

    Embora seja extremamente divertido e tenha um começo sensacional, o filme perde um pouco sua força quando foca em outro arco da história, na luta dos criadores do jogo pelos direitos autorais da produção. Sem surpresa, assistir programadores (Comer e Joe Kerry) discutindo sobre ações judiciais e códigos não é a coisa mais legal do mundo, embora Taika Waititi faça bem o papel de adversário capaz de manter as coisas malucas. Sem ele, essa subtrama seria uma catástrofe.

    E é triste que isso aconteça, afinal Joe Kerry cativou a todos em Stranger Things, mas tem um desempenho sem brilho como um codificador covarde em Free Guy. Waititi, sempre capaz de impressionar os espectadores dentro e fora das telas com seu carisma peculiar, faz o bastante para deixar seu carisma segurar a onda. Já Comer, a assassina impiedosa de Killing Eve, não se encontra como atriz de comédia e realmente parece um pouco deslocada.

    No fim, apenas Guy, de Reynolds, é realmente interessante.

    E como uma subtrama inteira é sem graça, fica claro que em muitos momentos o exagero de easter eggs ajuda a esconder furos no roteiro. Afinal, algumas decisões dos personagens são inexplicáveis e a facilidade com que certas coisas acontecem vão além do credível. Além disso, quando o romance central vai para o mundo real, as coisas ficam esquisitas.

    Mas ninguém esperava um filme perfeito e Free Guy consegue ser extremamente divertido, recheado de piadas idiotas, easter eggs e grandes ideias, perfeito para os amantes de filmes e videogames. 

    Apesar de prejudicado por uma fraca trama paralela em sua segunda metade, o longa funciona principalmente porque Ryan Reynolds entrega uma atuação inspirada e desenfreada em um mundo maravilhoso, que nos faz querer conhecer mais de Guy e de tudo à sua volta. 

    Esse longa é, sem dúvida, o melhor filme sobre videogames já feitos e é ótimo ver que ainda existe criatividade em Hollywood, mesmo que para isso seja preciso usar referências de diversos outros lugares.