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    FRIDA

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Falou-se muito que Gangues de Nova York teria sido o grande injustiçado do Oscar 2003. Talvez seja verdade. Mas vale a pena prestar uma atenção muito especial também em Frida, senão o maior, um dos maiores injustiçados da premiação deste ano, ao lado de Estrada para Perdição e o próprio Gangues. O filme é arrebatadoramente latino, visceral, inquieto. Coerente com a personalidade da artista plástica mexicana Frida Kahlo, cuja vida perpetua no celulóide.

    Apesar de co-produzido entre norte-americanos e canadenses, Frida tem a dose correta de latinidade necessária para contar a história da pintora. Os roteiristas optaram por uma fórmula linear, mas nem por isso menos eficiente em força narrativa. A primeira cena mostra Frida Kahlo (Salma Hayek, ótima), atada à sua própria cama, sendo carregada por um caminhão de mudanças. Uma imagem de força e resistência que será devidamente explicada no longo flash back de duas horas que se segue. Um corte de tempo transporta a ação para a meninice da pintora, suas molecagens e, principalmente, sua admiração pelo famoso artista plástico Diego Rivera (Alfred Molina, de Chocolate). Hiperativa, vivaz, entusiasmada pelos assuntos da política e do sexo, a garota quase vê tudo se acabar por causa da imprudência de um motorista de ônibus. Tem início uma bela história de teimosia, de amor à vida, de inquietação criativa e principalmente de inconformismo.

    Além da ótima interpretação de Salma, que vive convincentemente a personagem em suas mais diferentes idades e com um mínimo de maquiagem, o filme encanta pela agilidade da narrativa, pela coloridíssima direção de arte, e pela latinamente exagerada trilha sonora. Engessada por um apertado (para os padrões americanos) orçamento de US$ 12 milhões, a diretora Julie Taymor traz soluções criativas e estilizadas para simular cenograficamente viagens a Paris e a Nova York que a verba de produção não permitiu filmar. Esse é apenas o segundo longa-metragem para cinema dirigido por Julie. Há quatro anos, ela escreveu, produziu e dirigiu a ambiciosa ficção científica ítalo-americana Titus, um fracasso que nem chegou a estrear nas telas brasileiras. Com Frida, ela tem uma boa chance para se reabilitar.

    O filme ganhou um bem-vindo Oscar de Trilha Sonora, e um injustificado de maquiagem. Merecia também o de Melhor Atriz para a mexicana Salma Hayek. Ela encarnou o papel de uma forma tão intensa que chegou a pintar alguns dos quadros vistos no filme, e deixou suas próprias sobrancelhas crescerem para facilitar o trabalho de maquiagem. Porém, falar de Oscar e injustiças é chover no molhado. E põe molhado nisso.


    31 de março de 2003.

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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br