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    FROST/ NIXON

    Por Celso Sabadin
    06/03/2009

    O que podem ter em comum o apresentador de um show de variedades na TV australiana e o ex-presidente norte-americano Richard Nixon? Respostas em Frost/ Nixon, o mais recente filme do badalado diretor Ron Howard (Código da Vinci).

    Baseado em sua própria peça teatral, o roteirista Peter Morgan (o mesmo de A Rainha) conta em detalhes como o inglês David Frost (Michael Sheen, que viveu o papel do primeiro ministro Tony Blair em A Rainha), um sujeito superficial que apresentava um programa de auditório na televisão australiana e se lançou na maior empreitada jornalística de sua vida: tentar arrancar uma confissão ou até mesmo um pedido de desculpas do ex-presidente Richard Nixon, que saiu praticamente "fugido" da Casa Banca, após o famoso caso Watergate.

    Nada poderia ser mais improvável. Seria a mesma coisa que, digamos, Glória Maria (aquela ex-apresentadora do Fantástico que viajava aos lugares mais incríveis do mundo e perguntava aos seus entrevistados o que eles achavam da beleza da mulher brasileira ou do carnaval carioca) arrancasse um pedido de desculpas de George W. Bush por ter invadido o Iraque atrás de armas nucleares que nunca existiram. Uma missão impossível. Ou não?

    Com direção sóbria, Frost/ Nixon narra de forma simples, direta e envolvente toda a saga de David Frost em busca de seu sonho jornalístico. Em meio a uma batelada de diálogos espertos e inteligentes, sobressaem-se alguns temas instigantes. Entre eles, a necessidade humana de ser amado e aceito, independente da fama e do poder que se consiga obter. O assunto vem à tona num brilhante diálogo que Nixon e Frost teriam tido, por telefone, dias antes de um debate decisivo. Nele, o ex-presidente desabafa toda a sua decepção por ter sido o homem mais poderoso do mundo e mesmo assim não ter conseguido obter carinho da população, pelo simples fato de não ter nascido em berço de ouro.

    As possibilidades ilimitadas do jornalismo também são enfocadas por Frost/ Nixon. Talvez as novas gerações até estranhem ter havido uma época (o filme se passa nos anos 70) em que as perguntas não começassem com o inexpressivo "Fale um pouquinho sobre...". A mesma época na qual o noticiário não era regido por comunicados prontos escritos por assessorias de imprensa e onde ainda havia o saudável (e atualmente em extinção) hábito de pesquisar a fundo a pessoa a ser entrevistada. Vale lembrar que a própria queda de Nixon foi provocada por investigações jornalísticas. Mais detalhes em Todos os Homens do Presidente.

    No papel de Nixon, Fank Langella - que já foi Drácula nos anos 80 e vilão em filmes de ação - constrói um personagem forte, humano e crível, ainda que não guarde semelhanças físicas com o ex-presidente. E Michael Sheen (nenhum parentesco com Martin ou Charlie Sheen) também é convincente como jornalista bom vivant. Vale lembrar que ambos viveram os mesmos papéis na peça teatral que originou o filme. Destaque também para Rebecca Hall, a Vicky do elogiado Vicky Cristina Barcelona.