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    FROZEN - UMA AVENTURA CONGELANTE

    Engraçado, filme revela a face da nova princesa
    Por Ana Carolina Addario
    03/01/2014

    Engana-se quem acredita que os tradicionais contos de fadas perderam espaço para a nova era da animação. Em um universo em que desenhos animados revelam as aventuras de criadores de chuva de hambúrguer (com sucesso) ou carros e aviões falantes, Frozen - Uma Aventura Congelante dá uma aula de sensibilidade e entretenimento, prova de que mesmo as histórias mais antigas, quando aproximadas da realidade de seu público, podem emocionar e entreter. Para quem é fã de 3D, o filme também é parada obrigatória: se você acha que já viu tudo deste quesito no cinema, espere até ver as criações em gelo da Rainha da Neve.

    Frozen acompanha a obstinada busca de Anna, uma otimista incurável que se une ao rústico Kristoff e sua rena de estimação para reverter o inverno eterno que sua irmã Elsa, a Rainha da Neve, provocou acidentalmente em seu reino. No conto original, lançado pela primeira vez em 1844 por Hans Christian Andersen, a trama gira em torno do embate entre o bem e o mal vivido por Kai e Gerda, duas crianças que unem forças para vencer as tiranias da Rainha da Neve. Diferente da obra que o inspirou, o longa abandona aquela fórmula ingênua em que um mocinho combate um vilão. O filme passa ainda, embora em escala menor, por uma espécie de continuação ao discurso Valente sobre aceitação, amor e livre arbítrio.

    Considerada uma verdadeira vilã por seu reino, a Rainha da Neve, Elsa, luta contra seu próprio medo de ferir qualquer pessoa que a cerque, principalmente Anna, uma adolescente atrapalhada que cresce lamentando a ausência de sua irmã. Ironicamente, é seu medo de se expor que a faz machucar a pessoa que mais ama no mundo. Assim, a verdadeira briga de Anna é provar à irmã e ao seu reino que ser diferente não faz de ninguém um vilão. A Rainha da Neve, então, terá de se esforçar para vencer seu pior inimigo: o próprio medo. Questões como autoimagem, solidão e persistência valorizam e engrossam o caldo da trama, mas é a discussão sobre como o medo pode transformar a vida de uma pessoa que faz do filme uma aventura emocionante e divertida.

    Disposta e destemida, a protagonista Anna também não é exatamente a figura de princesa a que estamos acostumados a conhecer. E que bom, né? Ingênua e atrapalhada como toda boa adolescente, a personagem revela ao longo do filme características muito mais próximas da realidade do que os antigos contos de fadas. Então ela cai, se descabela, dá chilique e comete erros como todo mundo. Nada melhor para criar empatia com o público. Com boas tiradas de humor, Anna e o boneco de neve Olaf (que na versão brasileira é dublado por Fábio Porchat) protagonizam diálogos engraçados e em ótimo timing.

    Crível e engraçado, Frozen convence e emociona com sua metáfora para temas muito caros a seu público, como o medo e o desejo de aceitação, bem como a importância dos laços familiares. A busca de Anna por sua irmã Elsa, cujos poderes de criar gelo a afastaram de qualquer contato durante toda a vida, revela o acertado interesse da Disney em defender o valor da família, não importando como ela seja, o que resulta em uma aventura repleta de emoção e mensagens positivas. Fatalmente, crianças e adultos sairão, no mínimo, com os olhos marejados da sala de cinema.