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    FULL FRONTAL

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Filmar em apenas 18 dias, dentro de um apertado orçamento de US$ 2 milhões (1/4 do orçamento de Paixão de Jacobina, por exemplo) e ainda contar com Julia Roberts num dos papéis principais. Este foi o desafio que o roteirista e diretor Steven Soderbergh (o mesmo de Onze Homens e um Segredo) impôs a si mesmo no filme Full Frontal, até o momento o seu trabalho mais experimental.

    Dentro de um estilo muito mais europeu que americano, chegando a lembrar o badalado movimento Dogma, Soderbergh provoca estranheza às platéias mais conservadoras ao realizar uma crítica bem-humorada contra o próprio ganha-pão: os bastidores do cinema. Bebendo na fonte de Robert Altman, a trama mostra vários personagens que se entrelaçam em maior ou menor grau. Catherine (Julia Roberts) e Nicholas (Blair Underwood) trabalham juntos num filme produzido por Gus (David Duchovny, de Arquivo X), que se prepara para dar uma grande festa pelo seu aniversário. Lee (Catherine Keener) tem um caso com Nicholas. E Linda (Mary MacCormack) vai descobrir em Gus um “desdobramento” de sua profissão de massagista. Enquanto isso, um teatro alternativo encena uma peça sobre Adolf Hitler.

    Não será nada confortável para o público tentar juntar as peças deste quebra-cabeças proposto pela roteirista novata Coleman Hough... se é que as peças se encaixam. Não é fácil, num primeiro momento, sequer distinguir o que é o filme e o que é o filme dentro do filme. A princípio, Soderbergh parece utilizar imagens perfeitas e coloridas para mostrar o “filme dentro do filme”, e imagens desfocadas e desbotadas para contar o que seria a “vida real”, numa espécie de alusão à plasticidade do cinema comercial. Mas até o final da projeção o próprio cineasta desconstrói esta tese. De qualquer maneira, Full Frontal não é um trabalho facilmente digerível, principalmente para quem se propuser a assisti-lo uma única vez. O espectador mais desavisado pode até achar que entrou na sala errada do cinema, já que até o título – Full Frontal - só apreece após os créditos finais, naquela hora em que todos já foram embora.

    Como nos bons filmes europeus, o final fica a critério de cada um, dependendo do chope que se toma depois da sessão de cinema.

    21 de novembro de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br