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    FÚRIA DE TITÃS 2

    Como no longa anterior, de 2010, o roteiro do filme é de uma primariedade que assusta o espectador.
    Por Roberto Guerra
    29/03/2012

    Nos últimos anos temos assistido a estreia de grandes blockbusters que já nascem com a intenção de se transformar em trilogia. O fato é que muitas dessas empreitadas, a despeito de seus orçamentos generosos, transformam-se em estrondosas decepções de crítica e público. Foi o que aconteceu com Príncipe da Pérsia, Lanterna Verde e, recentemente, com John Carter. Quando isso acontece as possíveis sequências ficam na geladeira à espera de um produtor kamicase que resolva de arriscar. Depois de ser indicado em 2011 ao Framboesa de Ouro (uma espécie de Oscar às avessas) de Pior Refilmagem e Pior Uso do 3D, Fúria de Titãs parecia destinado a hibernar no gélido freezer reservado aos grandiosos fracassos. Parecia.

    O faturamento no mercado internacional salvou o filme e estimulou sua sequência. Caso os números se repitam, provavelmente estarei numa sessão de imprensa em 2014 pagando penitência aos deuses vendo o final trilogia. De cara vou responder a pergunta que todos querem saber: o novo longa é, sim, melhor que o antecessor. E isso não significa muita coisa, tendo em vista que a produção de 2010 é uma verdadeira heresia. O 3D melhorou um pouco. No primeiro filme o sistema foi usado apenas no processo de finalização, a chamada pós-produção, e não durante as filmagens. Ficou uma lástima, obviamente.

    Como no longa anterior, o roteiro (esse renegado dos dias atuais) de Fúria de Titãs 2 é de uma primariedade que assusta. Sem nuances, mal desenvolvido, cheio de buracos e transformando os personagens em espécies de bonecos animados de um videogame barulhento e apressado. As coisas se desenvolvem de tal forma pressurosa, que não há tempo sequer para que se crie algum tipo de tensão dramática. No final, é indiferente se quem vai ganhar são os mocinhos ou vilões. Tanto faz.

    A qualidade dos efeitos especiais melhorou, mas apenas um pouco. Algumas cenas de combate são exibidas em alta velocidade para que o olho humano não perceba os detalhes, o que dissimula a falta de acabamento e dificulta o entendimento de certas sequências. Numa cena de luta entre Perseu e o Minotauro, não se sabe quem está batendo, quem está apanhando. Não se entende nem o que está acontecendo de fato.Tudo se desenrola no escuro, com cortes rápidos e câmera fixa em partes de corpos em movimento frenético.

    A quem possa interessar, a história de Fúria de Titãs 2 mostra Perseu (o apagado Sam Worthington), o semideus filho de Zeus ( Liam Neeson), tentando viver uma vida tranquila como pescador dedicado ao filho de 10 anos, Helius. Paralelamente, uma luta pela supremacia surge entre os deuses e os titãs. Enfraquecidos pela falta de devoção da humanidade, os deuses estão perdendo o controle sobre os titãs aprisionados e seu líder, Kronos, ameaça fugir do Tártaro. Perseu desiste dos peixes e pega a espada quando Hades (Ralph Fiennes), juntamente com seu irmão, Ares (Edgar Ramirez), troca de lado e aprisiona Zeus. Com a ajuda da guerreira Rainha Andromeda (Rosamund Pike), do também semideus filho de Poseidon, Argenor (Toby Kebbell), e o Deus caído Hefesto (Bill Nighy), o herói parte em busca de salvar o pai e, de quebra, a humanidade.

    Se as divindades gregas vissem o filme provavelmente ficariam bem irritadas. Fúria de Titãs 2 é um épico que rivaliza com seu antecessor no que ele tem de pior. Como é mal conduzido, roteirizado e editado, de tempos em tempos temos um pit stop com explicações para o enredo que não se consegue fazer entender por meio das imagens, como no bom e velho cinema. Quando sobem os créditos, a sensação que fica é a do peso esmagador de um produto superficial e tolo em nossas mentes.