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    GATÃO DE MEIA IDADE

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    O Gatão de Meia Idade, personagem criado pelo desenhista Miguel Paiva e publicado em jornais cariocas há pouco mais de uma década, é um verdadeiro ícone. O Gatão, também conhecido como Cláudio, foi criado a partir de outra personagem de Paiva, a Radical Chic, como uma antítese do que ela representa ao público feminino. Mas é o mulherengo e adorável Gatão que entra em cena em O Gatão de Meia Idade, longa-metragem dirigido pelo veterano Antônio Carlos da Fontoura - cujo ponto alto na carreira foi em A Rainha Diaba, de 1974.

    A comédia traz Alexandre Borges na pele do conquistador que, aos 40 anos, começa a entrar numa crise. Dividindo seu tempo entre suas amantes e a filha pré-adolescente, Cláudio começa a relembrar de algumas de suas namoradas mais memoráveis e pensa se, afinal, precisa de um relacionamento estável.

    O Gatão de Meia Idade é uma comédia vazia. A divertida atuação de Borges não é o suficiente para tornar o longa-metragem mais agradável. O que é uma pena, pois o ator está realmente parecido com o personagem de Miguel Paiva. Mas O Gatão de Meia Idade tem alguns erros incompensáveis pela boa atuação do protagonista, como o roteiro. Repleto de clichês e frases feitas, o filme é completamente previsível e apresenta muitos personagens de uma forma solta. A liga que existe entre eles é o protagonista, mas a forma como eles desfilam pela tela faz com que fiquem perdidos no meio da fraca e inconsistente trama. A direção de Fontoura é pesada e muitas vezes faz com que o espectador se lembre das comédias brasileiras dos anos 80. Nada contra esse tipo de produção, mas estamos em 2005.

    Não é preciso enfatizar, portanto, que O Gatão de Meia Idade é uma produção fraca que não acrescenta em nada no cenário cinematográfico brasileiro. Não que exista essa obrigação social entre as produções nacionais, mas todo filme, de alguma forma, deve pelo menos divertir o espectador, coisa que esta produção não chega a conseguir.