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    GATO DE BOTAS

    Filme é uma aventura agradável, envolvente e tecnicamente impecável. Uma bem-vinda adição ao rol da boas animações<br />
    Por Roberto Guerra
    06/12/2011

    A ideia de levar às telas o personagem Gato de Botas em voo solo se mostrou acertada. O carismático gato dublado por Antonio Banderas, que roubou a cena em Shrek 2, é uma bem-vinda adição ao rol das boas animações. O diretor Chris Miller criou um universo particular para o herói felino, completamente diferente da ambientação de Shrek . O resultado é um filme com bom timing cômico, bem escrito e tecnicamente impecável.

    No longa, o gato de ronronar e olhos sedutores divide a cena com seu par romântico, Kitty Pata-Mansa (Salma Hayek), e o velho amigo/inimigo Humpty Dumpty (Zach Galifianakis). Aqui temos um ponto positivo do roteiro de Tom Wheeler, que deu espaço a estes dois coadjuvantes interessantes e não centralizou as atenções no Gato de Botas, uma estratégia inteligente que evitou um possível desgaste do protagonista e suas gags.

    Na primeira parte da animação, o espectador é levado a conhecer a história do destemido personagem desde a infância e de como se tornou um lendário fora da lei, driblando as investidas daqueles que o perseguem com a espada em punho ou, quando a situação fica feia, apelando para sua encantadora expressão de adoráveis olhos grandes para quebrar a resistência dos inimigos. E quem não capitula diante deste olhar?

    Depois do flashback que narra suas origens, o filme volta ao tempo presente no qual uma série de eventos oferece ao felino a chance de se redimir e limpar seu nome, algo que os pais vão gostar como mensagem moral. Para estes, o filme traz umas poucas piadas pontuais, como quando o personagem é preso pela polícia com um frasco de erva do gato e se justifica: “É para meu glaucoma”.

    Gato de Botas é uma aventura agradável, uma deliciosa brincadeira cujo enredo mostra os personagens centrais num esforço para roubar os feijões mágicos do engraçado casal de vilões Jack e Jill e, com eles, chegarem ao Ganso dos Ovos de Ouro.

    O bem-sacado enredo se desenvolve por meio de uma montagem ágil que mantém o ritmo envolvente do começo ao fim da projeção. Chris Miller trabalhou bem a aplicação do 3D, acima de tudo sabendo valorizar a profundidade de campo por meio de uma criteriosa composição de personagens e objetos.

    Gato de Botas nos remete ao humor inteligente do primeiro Shrek. As comparações, no entanto, terminam por aí. O longa não tem nenhuma relação com a famigerada produção que lançou o personagem. Felizmente, caminha por seus próprios pés, calçados em suas indefectíveis botas.

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