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    GRAND CENTRAL

    Personagens sob pressão de radiação e amor
    Por Roberto Guerra
    20/01/2014

    Este é um filme francês com dinâmica de filme francês, ou seja, vai se construindo aos poucos para o espectador, sem a execução mais ágil típica do cinema norte-americano. O protagonista não é um homem ou mulher, mas o medo destes diante de um perigo invisível, impalpável, que no longa da cineasta Rebecca Zlotowski pode ser a radiação de uma usina nuclear ou o amor que nos arrebata de repente.

    Quem experimenta esses perigos ao mesmo tempo é Gary (Tahar Rahim, de O Príncipe do Deserto). Ele é um jovem sem perspectivas que aceita trabalhar no setor de reparos de uma usina nuclear no interior da França – emprego de risco encarado somente por gente de pouca qualificação profissional e sem outra alternativa de sobrevivência.

    Morando num dormitório nas proximidades da usina, conhece a bela e sedutora Karole (Léa Seydoux, de Azul é a Cor Mais Quente). Ela é noiva de Tony (Denis Ménochet, de Bastardos Inglórios), seu colega de trabalho e vizinho, e também trabalha na usina. A radiação é um perigo invisível para o qual o casal têm de tomar uma série de cuidados (detalhados passo a passo no filme). Para o outro perigo imperceptível, o amor inesperado, não são tão precavidos.

    Em Grand Central a trilha sonora, engenhosa e muito bem encaixada, tem papel fundamental. Desde o início ela nos diz que mais cedo ou mais tarde algo vai dar errado; talvez na usina, talvez no amor, talvez em ambos. Num dado momento estes perigos aparentemente distintos se mesclam, já que Gary passa a ignorar um em virtude do outro.

    Não há em Grand Central outro problema comum em algumas produções estadunidenses atuais: mastigar tudo para o espectador, explicar o que já vê pelas imagens. O relacionamento de Gary e Karole é de poucas palavras, mas com bastante sex appeal. Tahar Rahim e Léa Seydoux estão muito bem e a química entre os dois funciona. Ela se destaca por conseguir fazer fluir na personagem certo mistério e humanidade advinda de sua vontade frágil.

    O roteiro de Rebecca Zlotowski em parceria com Gaëlle Macé comete breves deslizes pontuais quando insere na boca dos personagens falas um tanto dispensáveis para explicar os perigos da radiação. Algumas soam supérfluas, até porque as detalhadas cenas na usina nos convencem dos perigos sem a necessidade de explicações mais pormenorizadas. Nada que comprometa esse inteligente dueto entre imagens e trilha sonora, energia nuclear e amor.