GRAVIDADE

GRAVIDADE

(Gravity)

2012 , 91 MIN.

12 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 11/10/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alfonso Cuarón

    Equipe técnica

    Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón, Rodrigo García

    Produção: Alfonso Cuarón, David Heyman

    Fotografia: Emmanuel Lubezki

    Trilha Sonora: Steven Price

    Estúdio: Heyday Films, Reality Media, Warner Bros. Pictures

    Montador: Alfonso Cuarón, Mark Sanger

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Basher Savage, Eric Michels, George Clooney, Sandra Bullock

  • Crítica

    10/10/2013 16h33

    Que impulso é esse que nos leva a sobreviver mesmo sem termos nada pela frente? Em Gravidade, esse "nada" se apresenta literalmente, na sua forma quase primordial, no espaço. Um imenso desconhecido abriga os personagens em seu mistério. E o versátil diretor Alfonso Cuarón consegue transmitir a sensação deles em uma obra marcante.

    O longa traz duas estrelas bem conhecidas em Hollywood: Sandra Bullock, no papel da doutora Ryan Stone (sim, é um nome masculino e o filme explica o motivo), e George Clooney, como o astronauta Matt Kowalsky. Os dois estão em uma missão no espaço quando são atingidos por destroços de um satélite. A partir daí, precisam arriscar a sobrevivência nesse lugar inóspito.

    Alguns pontos fazem de Gravidade um filme incrivelmente instigante. O mais pleno deles se apresenta diversas vezes: o jogo contínuo entre pequenez e grandeza, conhecido e desconhecido. Ali, no espaço, o homem se torna imenso com sua tecnologia; no paradoxo, se vê minúsculo diante da terra.

    O perigo implicado pelos destroços do satélite dá ritmo à trama. Algo impressionante, principalmente do meio para o final. Com poucos elementos, o roteiro escrito por pai e filho, Alfonso e Jonás Cuaron, consegue entreter plenamente.

    A questão dos personagens principais é de vida e morte, imensa. E eles voltam aos detalhes para se sentirem em casa novamente. Logo de saída, conhecemos o destino triste da filha da Dr. Ryan. Um acidente tolo acabou com seu futuro. A música folk americana embala Matt em seus minutos de incerteza, assim como a lembrança de algumas histórias singelas.

    Esses detalhes se apresentam também nas outras estações espaciais onde Ryan busca salvação: imagens de Buda e de Cristo crucificado se escondem dentro delas. Existe algo mais humano e instintivo do que acreditar no que não se vê? Olhando por esse prisma, o espaço tem o aspecto de uma divindade.

    Ao distender a proporção e jogar luz no abismo entre dois pontos, Cuaron cria aquela sensação tão particular ao seu trabalho. Assim o fez em Filhos Da Esperança, transformando um processo natural, a gestação, em um milagre precioso.

    E da mesma forma, também investe na aflição. Se, no longa mencionado, as perseguições e tiros do clima de guerra tiram o fôlego, em Gravidade esse ar se perde literalmente. Quando o oxigênio de Ryan chega perto do fim, estende-se um desespero ao longo de muitos minutos.

    O 3D bem utilizado enfatiza a sensação de instabilidade, assim como bons takes e giros de câmera que causam até vertigem. Uma cena específica, da personagem de Sandra Bullock flutuando circularmente na entrada da nave, remete à geometria utilizada com primor nas obras de Stanley Kubrick (2001: Uma Odisseia No Espaço).

    A atriz desenvolveu bem sua personagem, sem muita afetação e demonstrando certa fragilidade. A escolha de Clooney para um quase coadjuvante também foi boa. O ator carrega aquele tipo canastrão de Matt e, apesar de aparecer pouco, sua presença é fundamental; traz leveza ao filme, um humor despretensioso.

    Os detalhes acerca do realismo podem causar julgamento negativo. Por exemplo, Ryan não sofre quase nenhum ferimento, algo que parece impossível diante das situações enfrentadas. Mas se algumas questões relativas à ciência não procedem, como o cabelo da protagonista não flutuar em gravidade zero, outras estão perfeitamente alinhadas: a estética da órbita da terra, a Aurora Polar, a transição entre silêncio e som nas câmaras pressurizadas e despressurizadas.

    Entretanto, Gravidade não se constitui de perfeições tecnológicas, mas sim das imperfeições humanas. São elas que tornam indivíduos tão frágeis – e tão plenamente humanos – frente ao desconhecido.



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