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    GUERRA AO TERROR

    Asfixiante, a direção magistral de Kathryn Bigelow coloca o espectador dentro da ação<br />
    Por Ana Martinelli
    02/02/2010

    Guerra ao Terror tem tudo para figurar nas listas de Melhores Filmes de Guerra do Cinema, pois está à altura dos grandes clássicos como Apocalypse Now, Platoon, A Lista de Schindler, Nascido para Matar, para citar alguns bem conhecidos. O drama do esquadrão de bombas do exército norte-americano, dirigido por Kathryn Bigelow (K-19: The Widowmaker), é uma asfixiante contagem regressiva.

    Logo na primeira sequência, a tensão se instaura diante do perigo. Com uma narrativa que incorpora a linguagem televisiva nos sentimos dentro de uma cobertura real do conflito, como tantas imagens que vimos da Guerra do Iraque. A sensação documental das imagens nos leva à reflexão: quantos filmes sobre esta guerra e tantas outras foram feitos? As reais motivações sobre os porquês da batalha são relevantes quando estamos em conflito?

    Há apenas 39 dias para que aquela unidade do exército americano pudesse voltar para casa, uma explosão traz um novo capitão para o esquadrão. Ao lado do sargento JT Sanbourn (Anthony Mackie, de Somos Marshall), do soldado Owen Eldridge (Brian Geraghty, de Eu Sei Quem Me Matou), o capitão William James (Jeremy Renner, de Extermínio 2) viverá situações limites. Mas, com experiência prévia no Afeganistão, ele parece ser o mais durão, o que menos se importa.

    A diretora Kathryn Bigelow toma seu tempo e constrói um enredo que vai a cada nova situação nos aproximando dos conflitos internos de seus personagens, revelando aos poucos quem eles são, seus medos, como lidam com os acontecimentos. Sua relação com a guerra e, consequentemente, seu lado humano.

    O roteiro de Mark Boal (No Vale das Sombras) amarra a contagem do tempo e a expectativa do esquadrão e do espectador; se eles sobreviverão aos dias que restam para voltar para casa. A direção magistral de Kathryn nos dá, apesar da tensão, tempo para respirar, sofrer, pensar e entrar mais e mais em Guerra ao Terror a cada novo desafio. E a trilha sonora pontua momentos extremos.

    Engana-se quem acha que o filme será catártico e o final previsível. O que posso dizer é mantenham em mente a citação do jornalista e correspondente de guerra norte-americano Chris Hedges nos créditos de abertura: “The rush of battle is often a potent and lethal addiction, for war is a drug.” (numa tradução livre: A arremetida da batalha é frequentemente um apego poderoso e letal, porque a guerra é uma droga.)

    Numa rápida pesquisa, descobre-se que foram feitos cerca de 50 filmes, entre documentários e ficções, para televisão e cinema, especificamente sobre a guerra que começou em junho de 2003 por causa de um documento da inteligência norte-americana que afirmava a existência de armas de destruição no Iraque, comandado por Saddam Hussein.

    Talvez pela grande quantidade de longas-metragens feitos nos últimos tempos sobre o tema, a Imagem Filmes, distribuidora no Brasil, optou por lançá-lo diretamente em DVD. Um erro, sem dúvida, mas, graças à quantidade de indicações e conquistas de prêmios importantes da indústria cinematográfica, inclusive o primeiro prêmio de Melhor Direção para uma mulher na história do Directors Guild of America (DGA), Guerra ao Terror será lançado nos cinemas brasileiros. Com atraso é verdade, mas vale a pena (re)ver na tela grande.

    Em tempo: Guerra ao Terror é líder em indicações ao Oscar 2010, concorrendo em nove categorias à estatueta. O longa empatou com a megaprodução de James Cameron, Avatar.