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    HASTA LA VISTA

    A abordagem do tema deficiência física é feita com delicadeza, o que não significa condescendência<br />
    Por Roberto Guerra
    17/05/2012

    Filmes sobre rapazes afoitos por perderem a virgindade são muitos, mas nenhum como Hasta la Vista. A começar por seus protagonistas: três jovens deficientes físicos que vivem na Bélgica.

    Lars sofre de câncer e está preso a uma cadeira de rodas, Philip é tetraplégico e Josef está praticamente cego. Suas limitações, no entanto, não os impedem de empreender uma viagem quando descobrem a existência, na Espanha, de um bordel especializado em "pessoas como nós", como define Philip.

    Engraçado, divertido e sincero, em Hasta la Vista não são estereótipos que usam cadeiras de rodas ou se apoiam em bengalas. O roteiro de Pierre De Clercq constrói personagens interessantíssimos, que lidam com seus problemas como todos nós, ou seja, nem sempre da melhor maneira.

    O bom enredo ganha ainda mais veracidade aos olhos do espectador graças às excelentes performances dos atores Robrecht Vanden Thoren, Tom Audenaert e Gilles De Schrijver. Numa das cenas mais belas do longa, o público descobre que nenhum dos atores sofre de qualquer limitação física, o que chega até a surpreender de tão convincente que são as atuações.

    O arco dramático do filme é cadenciado e a abordagem do tema deficiência física feita com delicadeza, o que não significa condescendência. Em nenhum momento sentimos pena dos personagens nem tampouco suas limitações são tratadas como meros detalhes incapazes de impedir que tenham uma vida normal. Os estorvos do dia-a-dia limitam suas vivências, os tornam dependentes e Hasta la Vista não dissimula isso.

    Merece ser destacado também o papel de apoio de Isabelle de Hertogh, que interpreta Claude, motorista e enfermeira do trio na viagem entre Bélgica e Espanha. A relação entre a personagem e os rapazes é o ponto de partida para descobrirmos idiossincrasias e como cada um deles se relaciona com a própria deficiência, inclusive Claude, vítima de uma “deficiência afetiva”, como define Josef. A convivência dos quatro cruzando a Europa numa van é também responsável pelos momentos mais divertidos do filme.

    O diretor Geoffrey Enthoven conduz bem sua câmera e consegue captar o mal-estar existencial dos personagens, tanto que, ao longo da projeção, até esquecemos estar diante de atores. É como se fôssemos inseridos num breve momento da vida de pessoas reais. E não deveria ser sempre assim no cinema?

    Tudo que descrevi acima faz de Hasta la Vista um filme longe das convenções do gênero. No entanto, em seu final, Enthoven comete um deslize e sucumbe à tentação de dar um tom “a vida continua” ao longa. O diretor desperdiça uma forte e emocionante cena à beira-mar, ponto ideal para o “the end”, e prolonga o filme mais alguns minutos sem a menor necessidade. Uma mancada que não tira o tesão de assistir a esse bom filme.