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    HELLBOY

    Por Daniel Reininger
    20/05/2019

    Hellboy ganhou fama com os filmes de Guillermo Del Toro (A Forma Da Água) e muita gente ficou triste quando o herói foi abandonado no cinema. A alegria dos fãs voltou quando um reboot foi anunciado, com David Harbour, de Stranger Things, no papel principal. Infelizmente, o retorno do vermelhão para a tela é tudo menos um sucessor digno dos originais.

    O filme tinha tudo para dar certo e mesmo assim consegue errar em praticamente tudo. Ian McShane (John Wick 3 - Parabellum) faz o papel de Professor Broom no lugar de John Hurt e a escolha seria perfeita se Harbor e McShane tivessem alguma química na tela, o que atrapalha a dinâmica de pai e filho. McShane está lá só para explicar situações e comandar um grupo paramilitar determinado a explodir criaturas do oculto, enquanto Harbour age como uma criança mimada, daquelas bem chatas mesmo. Definitivamente não é interessante acompanhá-los.

    Com isso, Hellboy acaba se tornando um ser patético, que foca demais nos problemas de relacionamento com seu pai e em sua crise por ser uma criatura de outro mundo forçada a caçar outras criaturas similares. E nem é preciso comparar a nova versão do herói com a atuação de Ron Perlman, o herói desse filme é simplesmente irritante pela forma como foi construído.

    O resto do elenco é tão ruim quanto a dupla principal, destaque para Milla Jovovich como a Rainha de Sangue, uma vilã caricata, que até tenta ser humanizada na tela, mas falha miseravelmente tanto no roteiro quanto na atuação. Não há simpatia que salve nessas horas. Sem falar que as piadas ao longo de todo o filme são muito fracas. Então, nem isso salva as coisas.

    A história em si tenta ser mais fiel aos quadrinhos do que os filmes de Del Toro e mistura diversos enredos que os leitores provavelmente reconhecerão, mas o resultado é uma salada de ideias, sem muita conexão, lógica ou carisma. A ideia geral é que o herói acaba tropeçando num plano para trazer uma bruxa antiga de volta à vida. No processo, Hellboy acaba diante da escolha de trazer a destruição da humanidade ou salvá-la do mal. Sem falar que muito do que vemos nesse longa, já vimos nos dois originais, afinal, pra que criatitividade, certo?

    Além do enredo caótico e sem graça, os efeitos são mal feitos. CGI barato faz com que o longa tenha um tom de filme B. Sem falar na trilha sonora aleatória, que parece ter saído da lista de qualquer fã de hard rock, sem nenhum bom senso ou lógica, fora o fato de conter a palavra diabo ou demônio na letra.

    Claro que existem alguns momentos divertidos, mas a verdade é que Hellboy é fraco demais, um reboot absolutamente desnecessário e dispensável. Com tantos filmes interessantes no cinema atualmente, não existe um motivo real para decidir investir neste longa, afinal, vale muito mais rever os clássicos de Del Toro.

    Com sorte, essa produção servirá de lembrança aos estúdios de que não basta pegar algo legal e levar ao cinema de qualquer jeito, é preciso respeito ao material base, sem esquecer de que se trata de uma obra cinematográfica que precisa de cuidado na hora da adaptação. Todos queriam ver Hellboy de volta às telonas, mas certamente não dessa maneira.