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    Hereditário fascina trazendo um novo olhar para o terror

    Longa de Ari Aster conta história misteriosa e é psicologicamente apavorante!
    Por Thamires Viana
    20/06/2018 - Atualizado há 7 meses

    A maioria dos fãs de terror espera ansiosamente por uma estreia do gênero nos cinemas e se anima com títulos que parecem assustadores, sangrentos e cheios de efeitos. Hereditário, primeiro longa do diretor Ari Aster, é uma coisa bem apavorante, mas que dispensa o tradicional.

    Com Toni Collette no elenco, o filme acompanha a família Graham, que após a morte da matriarca, começa a sofrer com acontecimentos traumáticos e passa a descobrir segredos cada vez mais aterrorizantes sobre seus ancestrais. Quanto mais eles descobrem sobre o passado, mais tentam se livrar do terrível e infeliz destino que herdaram. Acredite, o título do filme é de fato uma grande revelação sobre a história.

    Aderindo ao "novo horror", ou seja, aquele que evita cair no óbvio, o longa se iguala a filmes como A Bruxa, Corra! e Um Lugar Silencioso, que conseguem apavorar sem apelar para sustos já conhecidos, característicos de filmes do gênero, além de deixar o espectador desconfortável com tomadas simples, mas eficientes.

    Tratando da cultura religiosa familiar, Aster consegue inserir pequenos plot-twists no decorrer da trama, fazendo com que as surpresas do filme sejam reveladas no momento exato para mudar o rumo da história. É quando ele acerta ao atrair o foco para o filho mais velho da família, Peter (Alex Wolff), que apesar do distânciamento no começo, se torna um personagem importante para o desfecho da trama.

    Apesar de pequenas falhas, o roteiro de Hereditário, também escrito por Aster, é certeiro quando revela para o que veio. Seguindo a ideia desse novo gênero criado para o terror, o longa tem um decorrer menos intenso, demorando um pouco para expor suas artimanhas e prender o espectador. Isso, juntando com a expectativa dos mais apressados ou já adptados com o terror tradicional, pode gerar um certo tédio e fazer com que logo de cara ele seja taxado como um "filme de terror paradão". No entanto, o ato final promete compensar qualquer descontentamento que surja no meio da trama, explicando e amarrando todos as pontas deixadas propositalmente em seu decorrer.  

    Collette demonstra sua versatilidade de forma impecável. Se olhar sua filmografia, a atriz já passou por comédias como Pequena Miss Sunshine e a recente francesa Madame, mas também marcou sua carreira como Lynn Sear, a mãe de Cole em O Sexto Sentido, um dos filmes mais importantes para o gênero. Em Hereditário, novamente no terror, ela vive Annie com total empenho e consegue comover como uma mãe desesperada pela vida dos filhos. Assim como ela, a atriz mirim Milly Shapiro faz sua estreia nos cinemas e não desaponta. Como uma quase protagonista, a menina de 15 anos desempenha uma personagem carismática de total importância para o filme.

    Mesmo com uma temática já abordada, o diretor fascina com um novo olhar para o assunto. Com referências claras de O Bebê De Rosemary e O Exorcista, grandes clássicos do terror, é fato que o longa conseguirá se firmar como um dos melhores do gênero, principalmente pela sua forma de contar uma história apavorante. Hereditário vem para mostrar que menos é mais e que não é preciso apelar para uma luz piscante ou assassinos em série para perturbar com eficácia.