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    HISTERIA

    O filme pode ser uma decepção ou um agradável entretenimento, tudo depende da maneira que o espectador decide encarar a trama.<br />
    Por Paulo Cintra
    06/11/2012

    Histeria pode ser uma decepção ou um agradável entretenimento, tudo depende da maneira que o espectador decide encarar a trama. Vendido como uma comédia escrachada sobre invenção do vibrador, o longa passa longe disso e na verdade usa tal fato como pano de fundo para uma boa história de amor, que pode desagradar os mais desavisados.

    Apesar do romance não fugir dos padrões convencionais, o enredo é divertido e funciona como um todo. Óbvio que existem escorregões no roteiro, mas a forma como a libido feminina, ainda considerada um tabu para muitos, é exposta valoriza o tema. Não é necessário apelar para vocabulários chulos como certas produções nacionais adoram recorrer.

    O figurino é o ponto forte da obra, com um visual muito bem trabalhado, é fácil imaginar-se no Reino Unido de mais de um século atrás. Destaque também para o elenco. Personagens secundários são marcantes e de fácil fixação na memória. O protagonista Hugh Dancy consegue convencer na pele de Mortimer Granville, um jovem médico idealista que cansado de se frustrar aceita um trabalho “monótono” em uma clínica destinada ao público feminino.

    No local, ele é apresentado a um tratamento alternativo para histeria, diagnóstico genérico para quase todos os problemas das mulheres. O remédio era algo simples e muito bem remunerado: uma sessão de relaxamento, onde o médico leva a paciente ao orgasmo usando exclusivamente óleos e as mãos, uma forma socialmente aceita de masturbação.

    O dono do estabelecimento é o Dr. Dalrymple, um caricato membro da alta sociedade que é pai da rebelde Charlotte, personagem de Maggie Gyllenhaal, o grande chamariz da produção para encher as salas de cinema.

    Está claro que o talento da atriz poderia ser bem melhor explorado para o papel. Maggie parece desconfortável nas cenas mais previsíveis e românticas, enquanto faz empolgantes discursos nas passagens mais dramáticas e se sai bem nos momentos cômicos.

    Essa instabilidade é o reflexo de boa parte do longa. Momentos bem divertidos são sucedidos de cenas excessivamente fantasiosas que tentam convencer o público do engajamento político dos protagonistas, isso se torna desconfortável. Seria mais simples e sensato manter toda a trama dentro da comédia romântica e tentar deixar tal discurso de lado.

    Os problemas de convergência entre os gêneros tiram pontos e soam como mea culpa por parte de uma cineasta um tanto enferrujada, afinal foram quase dez anos sem filmar. Por fim, Histeria é apenas um bom filme, nada marcante. Mas fica a impressão de que se a diretora Tanya Wexler optasse por manter um caminho mais claro, poderia ser a responsável por uma obra digna de ser lembrada por anos, fosse ela uma comédia altamente perversa ou romance inesquecível.