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    HISTÓRIAS DE COZINHA

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Com o final da Segunda Guerra Mundial e a industrialização batendo à porta das grandes cidades, o mundo foi tomado por uma verdadeira coqueluche em busca da modernização. A década de 50 foi marcada por invenções - muitas vezes absurdas e mirabolantes demais - e por uma busca pela praticidade dos consumidores. Histórias De Cozinha parte desse mote para contar uma pitoresca história de amizade em meio à neve da Noruega.

    Folke (Tomas Norström) é um pesquisador que faz parte de um programa patrocinado por empresas que fabricam utensílios domésticos. O projeto consiste em colocar 50 pesquisadores em trailers para que eles se infiltrem na cozinha de alguns moradores (que, claro, concordaram com essa experiência) para fazer um mapeamento de suas movimentações dentro de uma cozinha e, assim, criem um padrão para que eletrodomésticos funcionais sejam criados. Nesse Big Brother primitivo, o trabalho do pesquisador é ficar em uma cadeira enorme monitorando os movimentos dos moradores diariamente.

    Acompanhamos de perto o trabalho de Folke, que é escolhido para ficar na casa de Isak (Joachim Calmeyer), um fazendeiro bronco que não coopera com a pesquisa. Apesar de ter concordado com os termos, o velho não deixa Folke se instalar em sua cozinha e atrapalha, de todas as maneiras que pode, o trabalho do coitado. O filme, que começa gelado, distante, começa a amornar na medida em que a dupla de protagonistas desenvolve uma amizade graças a essa aproximação forçada. Enquanto o inverno na Noruega está acabando, o gelo entre os dois começa a derreter e o que se tem é um senso de companheirismo criado entre duas pessoas extremamente solitárias, isoladas pela neve.

    Quando exibido pela primeira vez no Brasil, na 27ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Histórias de Cozinha deu ao diretor Bent Hamer o Prêmio do Júri Internacional de Melhor Diretor. Não é para menos: este é um filme simpático, sem muitas pretensões. O humor refinado, pitoresco, misturado ao singelo toque de sentimentalismo resultam em uma comédia leve, descompromissada e, o que é mais importante, divertida. Vale também destacar a ótima fotografia que, auxiliada pela brancura da neve das locações, é esverdeada, fria e belíssima.