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    HITCHCOCK

    Misturando fantasia e realidade, filme mostra de forma ireverente os bastidores de Psicose<br />
    Por Daniel Reininger
    27/02/2013
    6/10

    HITCHCOCK

    12
    Drama

    Trinta e dois anos após sua morte, um dos diretores mais famosos de todos os tempos, Alfred Hitchcock está em alta. Além de seu filme Um Corpo que Cai ter destronado Cidadão Kane como o melhor da história, em votação pela prestigiosa revista Sight & Sound, ele ainda ganhou duas cinebiografias. The Girl, para a TV, trata sobre sua obsessão por protagonistas loiras, enquanto Hitchcock é um thriller bem humorado sobre a produção de Psicose, sua obra-prima.

    Livremente baseado no livro Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose, de Stephen Rebello, o longa não é um documentário, mas sim uma obra divertida que mostra a obsessão do cineasta em produzir Psicose, sem apoio dos estúdios e obrigado a bancar tudo de seu próprio bolso.

    O filme traz Anthony Hopkins irreconhecível no papel do mestre do suspense, não só pelo magnífico trabalho de maquiagem, tão bom a ponto de esquecermos que não estamos diante do falecido cineasta, mas também pela confiança e sagacidade de sua atuação. Outra estrela do filme é Helen Mirren, que interpreta com dignidade a tranquila Alma Reville, esposa, assistente de direção, roteirista e editora do cineasta por mais de 50 anos, que nesse filme recebe o devido crédito por seu trabalho, já que não a coloca no papel de vítima.

    As estrelas mais jovens também brilham. Scarlett Johansson usa todo seu charme e sensualidade para dar vida a Janet Leigh, a mais famosa loira de Hitchcock. A atriz consegue entender a dinâmica entre musa e cineasta, até por já ter vivido algo parecido com Woody Allen em sua carreira. James D'Arcy captura com maestria todas as incertezas enfrentadas por Anthony Perkins, recriando até os trejeitos do veterano ator, pena não ter mais espaço para mostrar seu trabalho.

    Apesar do elenco afiado, o filme falha ao demonizar não só Ed Gein, assassino real e inspiração para a criação de Norman Bates, mas também o próprio cineasta. Em cenas que misturam fantasia e realidade, Hitchcock conversa com o maníaco e até passa a mostrar sinais dos mesmos impulsos. Não importa se o diretor tinha ou não algum lado obscuro, a questão é que a forma como essas cenas foram criadas tiram o charme da produção e transformam o mestre do suspense em um clichê ambulante. Psicose é tão bom por fazer exatamente o contrário, humanizava a figura monstruosa de Bates, intrepretado como um homem sensível à mercê de compulsões que nem ele podia compreender.

    Outro problema é que, devido a restrições legais, nenhuma imagem de Psicose pôde ser mostrada nem recriada. Isso tira o impacto de certos momentos chave, como a dificuldade para gravar a famosa cena do chuveiro – que demorou uma semana inteira para ficar pronta – e é mostrada de forma superficial neste longa.

    É claro que é divertido imaginar que Alfred espionava as atrizes se trocarem no camarim e fazia de tudo para manter uma aura de mistério sobre si, mas tudo isso é verdade ou fantasia? A trama te envolve de tal forma que isso não importa de verdade.