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    HOMEM-ARANHA 2

    Por Roberto Guerra
    02/07/2004

    Equacionar uma superprodução hollywoodiana não é tarefa fácil. As variáveis são muitas e, quase sempre, o resultado deixa a desejar. O fator determinante para os erros de cálculo na hora de se fazer um blockbuster diz respeito, invariavelmente, aos orçamentos milionários. Num filme como Homem-Aranha 2, por exemplo, que custou US$ 200 milhões aos cofres da Columbia, a pressão por resultados economicamente satisfatórios é muito grande por parte dos executivos e produtores, o que significa impor ao diretor uma série de restrições mais um bocado de exigências para, segundo eles, diminuir a margem de risco. A restrição principal é não ousar, fazer o trivial, o que costuma dá certo. As exigências, por sua vez, vão da escolha deste ou daquele astro para o papel principal até a obrigatoriedade de prodigalizar efeitos especiais. Como se sabe, na matemática dos executivos, efeitos especiais e milhões de dólares são sinônimos.

    Em casos assim, os diretores muitas vezes se vêm de mãos atadas e têm dificuldades de equilibrar as variáveis. O resultado disso a gente costuma ver com certa freqüência: filmes pomposos, repletos de inovações tecnológicas, mas cheio de falhas básicas, como roteiros mal amarrados, interpretações tacanhas, diálogos infantis e por aí vai. Por isso, merece elogios esta continuação de Homem-Aranha, sucesso estrondoso de bilheteria em 2002. O diretor Sam Raimi, desta vez, além de ter de lidar com as pressões já citadas, tinha a ingrata missão de repetir o êxito do filme anterior. E, como se sabe, continuações costumam ficar aquém dos originais na maioria das vezes. Só que Homem-Aranha 2 supera o original e muito.

    Peter Parker (mais uma vez interpretado por Tobey Maguire) está de volta como um loser de primeira. Logo no início do filme, perde o emprego, não consegue revelar seu amor por Mary Jane (Kirsten Dunst), é repreendido por um professor da faculdade, não consegue pagar o aluguel e, pior, perturbado, começa a perder seus superpoderes. Isso, somado ao talento de Maguire para dar profundidade ao personagem, contribui para a humanização de Parker aos olhos do público. Ele é como nós, cheio de problemas e suscetível a falhar quando estressado e deprimido.

    Em contraponto à crise de identidade do Aranha, Raimi pontua o filme com muito humor, como a cena da violinista oriental que toca a música-tema do personagem nas ruas de Nova York, ou quando, ao perder os poderes, o herói precisa entrar num elevador onde trava um hilário diálogo com um passageiro sobre o conforto de seu uniforme.

    Se não bastassem esses pontos positivos, Homem-Aranha 2 também se supera nas seqüências de ação. Dois anos de avanços em efeitos especiais foram o suficiente para levar às telas um Homem-Aranha mais ágil, mais real em seus vôos entre os arranha-céus da cidade. Além disso, o novo inimigo, Dr. Octopus, interpretado com competência por Alfred Molina, surpreende pela veracidade das cenas em que escala prédios ou combate o herói aracnídeo. Efeito especial é bom quando não parece um efeito especial e, em nenhum momento do filme, as situações parecem falseadas.

    Em suma: Homem-Aranha 2 é um ótimo filme de ação e um bom exemplo de que uma superprodução e uma produção de qualidade não são termos dissociados. É só equacionar e equilibrar. Nem sempre é fácil, mas Sam Raimi mostrou que é possível.