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    HOMEM DE FERRO 2

    Mais do que um filme de ação, sequência mantém ótimo nível da primeira produção<br />
    Por Heitor Augusto
    27/04/2010

    Não apenas as cenas de lutas e os efeitos especiais tornaram Homem de Ferro um bom filme. A qualidade da produção também se deve a: 1) não se levar muito a sério ao retratar um herói ora charmoso, ora egoísta, pronto para quebrar o gelo com tiradas cômicas – papel perfeito para as habilidades de Robert Donwey Jr; 2) tratar com respeito tanto a ação quanto a história, o ritmo do filme e as cenas de apresentação e construção dos personagens.

    Pois bem, o que havia de bom no primeiro filme Jon Favreau conseguiu manter em Homem de Ferro 2. A continuação cumpre a ambição de frequentar tanto o entretenimento como ferramenta para esquecimento completo do mundo quanto dialogar com gêneros anteriores ao de ação para atender quem não se contenta só com tiros.

    Porém, já não há o paralelo político do primeiro filme. As fichas são apostadas no dilema em torno das mãos maléficas e gananciosas que se apropriam da tecnologia em vez de utilizá-las para fins comuns e humanitários. Aí estão os grandes vilões de Tony Stark: Justin Hammer (Sam Rockwell), um empresário armamentista que cresceu com a saída da Stark Industries do belicismo, e Ivan Vanko (Mickey Rourke), um cientista russo que busca vingança contra o bad boy milionário por causa de um fato do passado.

    Não à toa, são diversas as semelhanças que Homem de Ferro guarda com o gênero faroeste. Tony é um herói completamente descrente na lei ou no Exército, corrompido pelo lobby financeiro de Hammer. O que ele combate é justamente a ganância, os excessos nas mãos erradas. A vingança como motor da história. Sem contar outra referência às trocas de socos digna de filme de caubóis – quatro caracterísiticas facilmente identificáveis em filmes como E o Sangue Semeou a Terra, de Anthony Mann.

    Personagens

    Homem de Ferro 2 conta novamente com o ótimo desempenho de Robert Downey Jr, confortável tanto na pele do herói que resolve os problemas quanto na do riquinho mimado, e genial, que mete os pés pelas mãos.

    Em última instância, Favreau faz mesmo um filme de ação. Porém, não desvia do caminho quando surgem coisas sérias, como o tema do medo da morte, à qual nosso herói atribui uma parte de suas atitudes precipitadas. Mas a direção é inteligente pois, quando percebe que o tom está ficando soberbo, encaixa uma piada. Afinal, o Tony do filme é consciente, mas também inconsequente.

    Gwyneth Paltrow, que vive Pepper, a dedicada secretária e paixão platônica do herói, mantém a mesma eficiência do primeiro filme. Já Don Cheadle vem para cobrir a lacuna deixada por Rodey no longa de 2008. Sam Rockwell sabe interpretar um panaca, enquanto Mickey Rourke emprestou músculos, e um sotaque russo, ao vilão, menos meticuloso do que em Homem de Ferro.

    Mas, entre todos os personagens de Homem de Ferro 2, a maior personalidade pertence à agente Natasha Romanoff, papel que se encaixou perfeitamente a Scarlett Johansson. Ela esquenta a trama. Suas cenas de lutas são maravilhosas, a câmera que a encara capta todo o seu ar sedutor e transforma Scarlett tão dominante quanto Downey Jr.

    Ela é o espelho de Pepper. Enquanto a secretária é a mulher ideal (bonita, dedicada e companheira), Natasha é a femme fatale real (estonteante, independente e luta muito bem). Um ótimo jogo de duplos.

    O ritmo de Homem de Ferro 2 se sustenta graças ao roteiro sem rodeios de Justin Theroux (Trovão Tropical) e à montagem de Dan Lebental (que já trabalhou no primeiro filme) e Richard Pearson (007 Quantum of Solace). Um elenco afinado dá uma cara efetiva aos personagens. Mas, acima de tudo, Homem de Ferro 2 é mais amplo do que um mero filme de ação por conter outros gêneros dentro de si, o que dá frescor, fluidez e uma mínima densidade.