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    HOMEM DE FERRO 3

    As cenas grandiosas não escondem as terríveis falhas de roteiro da nova aventura de Tony Stark<br />
    Por Daniel Reininger
    22/04/2013

    O fim da trilogia solo de Tony Stark tem as maiores cenas de ação da série, porém perde o que tinha de melhor, respeito à inteligência dos espectadores. Resultado: Homem de Ferro 3 é o pior da franquia até aqui.

    O primeiro sinal de problema é a narração em off. Stark, traumatizado depois dos eventos de Os Vingadores, começa a contar como sua vida mudou depois de encarar o Mandarim. Não há justificativa alguma para explicar fatos mais do que claros e o recurso é apenas uma muleta do inseguro diretor Shane Black.

    O roteiro assinado pelo próprio cineasta em parceria com Drew Pearce desvirtua a ótima série Extremis dos quadrinhos de Warren Ellis e Adi Granov, ignorando alguns de seus melhores detalhes, como as novas capacidades do protagonista. A trama está cheia de furos e o filme falha ao tentar seguir o estilo de comédia de Os Vingadores, afinal muitas piadas caem no pastelão. Mandarim é, acredite, o alívio cômico. É como fazer do Coringa de Cavaleiro das Trevas um palhaço e não um maníaco.

    Além disso, não dá para entender algumas atitudes dos personagens. O ataque de Mandarim à casa de Tony Stark, mostrado extensivamente nos trailers, é muito bem feito e extremamente divertido, mas é uma reação exagerada a uma provocação desnecessária do herói. Essa é uma das situações questionáveis da produção, porém não é a única.

    No final das contas, ficamos sem saber o que o vilão realmente quer com seu plano. Ele tem um problema pessoal com Stark? O filme dá a entender que sim, entretanto a única cena que indicaria essa rivalidade é absurdamente fraca e não se justificaria nem se fossem duas crianças do jardim da infância.

    Embora o visual dos capangas sob efeito da tecnologia Extremis não funcione e seja clichê (olhos vermelhos para inimigos, sério?), a ação e os efeitos especiais são sensacionais. Como já era esperado, a qualidade visual da pós-produção deixa as batalhas fáceis de entender, são divertidas e apresentam uma imensa variedade de armaduras. É ótimo ver também o herói enfrentar desafios sem suas armas em alguns momentos.

    Faz muito sentido Tony entrar em ação somente com suas habilidades humanas. No começo do filme ele se mostra viciado no poder e passa todo tempo ocupado em criar novas armas e funções para suas armaduras. Graças a essa obsessão, Stark nunca esteve mais a vontade como Homem de Ferro e seu desempenho em batalha parece um número de dança coreografado, com movimentos harmônicos - ainda mais em 3D. Este recurso, por sinal, evoluiu muito em relação a Capitão América, mas ainda é dispensável na maior parte do tempo.

    Depois de Os Vingadores, a Marvel parecia saber muito bem como conduzir suas produções, porém Homem de Ferro 3 quebra parte do encanto. A produção tem momentos capazes de empolgar os espectadores com suas belas imagens, algumas boas piadas e Downey Jr. ainda perfeito no papel de Tony Stark. Entretanto, as ideias novas se mostram problemáticas e a obra falha não só como filme, mas também como adaptação dos quadrinhos graças ao roteiro fraco e direção inconsistente.