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    HOMEM IRRACIONAL

    Com trama existencialista, Allen homenageia a si mesmo
    Por Iara Vasconcelos
    27/08/2015

    Woody Allen já tem uma carreira consolidada em Hollywood e certamente não precisa provar a ninguém seu talento, mesmo assim se mantém ativo e faz questão de lançar ao menos um filme por ano. Em meio a esse ritmo frenético, ele consegue nos presentear com longas brilhantes, como Blue Jasmine, mas também com alguns pouco inspirados, como Para Roma Com Amor. Em seu mais novo trabalho, Homem Irracional, Allen flerta novamente com a filosofia existencialista e revisita dilemas morais já abordados em seus outros trabalhos.

    Na trama, Joaquin Phoenix, o queridinho de Paul Thomas Anderson, encarna o professor universitário de filosofia e eterno sofredor Abe. Com mil questionamentos na cabeça, mas nenhuma ambição, ele reencontra a vontade de viver quando se convence de que tem nas mãos o poder de livrar a humanidade de uma pessoa desprezível, no caso um juiz corrupto. Essa figura de personalidade inquietante acaba atraindo uma de suas alunas, a jovem Jill (Emma Stone), que se impressiona cada vez mais pelo intelecto de seu mentor.

    Assim como outros personagens centrais dos filmes de Allen, Abe é um cético nato, atormentando pela própria forma racional de enxergar o mundo e incapaz de saborear a simplicidade descompromissada da vida. O enredo de Homem Irracional mexe com o imaginário popular do crime perfeito e levanta questionamentos interessantes, como o de que um assassinato poderia abrir a porta para outros mais. O grande problema do filme é que tudo nele parece um grande dejavú de coisas que já vimos em películas anteriores do diretor, como Crimes E Pecados e Match Point.

    Outro fator que incomoda, além das autorreferências aos filmes do cineasta, são as subtramas sem conclusão. Personagens como a professora, interpretada por Parker Posey, aparecem e desaparecem sem que entendamos seu propósito na história e o que acontece com eles depois.

    Homem Irracional não está entre os piores trabalhos de Allen. É de fato pouco inovador e inconsistente, mas os diálogos didáticos recheados de menções a grandes filósofos e a trilha alegre e contrastante com a tensão do momento, recurso típico do diretor, ainda o fazem valer a pena.