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    HORIZONTE PROFUNDO - DESASTRE NO GOLFO

    Narrativa vai direto ao ponto e supera preconceitos do gênero
    Por Iara Vasconcelos
    09/11/2016

    Filmes sobre desastres reais – sejam eles naturais ou provocados por humanos – geralmente atraem a curiosidade do público. Entretanto, o sensacionalismo exacerbado característico dessas produções acaba fazendo com que a fama do gênero não seja dos melhores. Felizmente, Horizonte Profundo - Desastre No Golfo consegue ultrapassar esse pré-conceito e envolver o espectador no verdadeiro clima de desespero que a situação demanda.

    A história narra a trágica explosão na plataforma de perfuração marítima Deepwater Horizon, no Golfo do México, que resultou em um dos piores vazamentos de petróleo na história dos EUA. Mike Williams (Mark Wahlberg) e o restante da equipe a bordo da plataforma precisaram lutar contra o tempo para salvar suas vidas depois que o lugar ameaça explodir.

    Sob direção de Peter Berg, que comandou Hércules e O Grande Herói, o filme traz consigo características dos dramas de guerra. Por vezes, até esquecemos que as explosões não são frutos de bombas e granadas, já que o clima de batalha parece imperar.

    O cineasta usa de efeitos como câmera tremida e luzes que ascendem e apagam constantemente, tudo de forma a acompanhar o alvoroço do momento.

    A narrativa vai direto ao ponto e dá pequenas pistas do que vai acontecer desde as primeiras cenas. Como a história é baseada em fatos, esse recurso ajuda a criar suspense, mesmo que o desfecho da história já seja conhecido por muitos.

    Mas nem tudo são flores. Existem duas questões essenciais que poderiam ser resolvidas facilmente pelo diretor. A primeira é a linguagem rebuscada e cheia de jargões técnicos desconhecidos do grande público. O segundo é a forma como a história é centralizada apenas no personagem de Wahlberg, mesmo quando Kurt Russell e Gina Rodriguez também possuem um papel importante, o que fica ainda mais evidente na parte final.

    Berg também prefere trabalhar a partir de uma abordagem que não esconde os culpados. Em nenhum momento ele hesita em colocar Donald Vidrine (John Malkovich) como um dos responsáveis. Entretanto, o personagem acaba ganhando um final de "redenção" bem típico de ficção.

    É uma pena que Horizonte Profundo - Desastre No Golfo não tenha explorado um pouco mais do outro lado desse desastre: O impacto ambiental por ele causado. Entretanto, é seguro dizer que se tivesse ido por esse caminho, não teria tanto apelo quanto a figura do intocável herói americano.