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    HOTEL TRANSILVÂNIA

    O longa diverte a criançada, mas adultos e adolescentes devem ficar entediados na primeira meia hora de exibição. <br />
    Por Paulo Cintra
    03/10/2012

    Animações são as grandes apostas dos estúdios para lucrar alto em 2012. A tática tem funcionado muito bem até o momento, perfeição técnica aliada a um roteiro qualquer leva multidões aos cinemas. Hotel Transylvânia é exatamente isso, um filme tecnicamente perfeito, mas com uma trama preguiçosa e sem criatividade alguma.

    O longa acompanha a vida do Conde Drácula, neste caso um vampiro bonzinho, que cansado da perseguição humana, resolve criar um hotel onde todos os monstros possam tirar suas férias em paz. Entre as criaturas que aparecem no novo refúgio temos Lobisomens, Múmias e até o Frankenstein.

    A produção é assinada por Genndy Tartakovsky, considerado o mago da Cartoon Network, afinal é o responsável pela criação de alguns dos maiores sucessos da emissora, como O Laboratório de Dexter e Meninas Super-Poderosas. Ambos os desenhos conquistaram o público por saírem do tédio em que a indústria se encontrava. Infelizmente, parece que Tartakovsky perdeu o jeito e se rendeu a todos os clichês imagináveis.

    O diretor tinha um argumento interessante em mãos, reunir monstros famosos e criar um filme que agradasse crianças e adultos. Mas o longa passa longe disso e fica muito atrás de outras animações recentes do gênero. Por exemplo: no critério criaturas estranhas, ParaNorman é muito superior; e se pensarmos em vilões bonzinhos, Meu Malvado Favorito ganha de lavada.

    Apesar do começo empolgante, a produção se perde e cai na mesmice. Quase todos os argumentos que sustentam o roteiro são frágeis e se contradizem em algum momento. As piadas que salvam Hotel Transylvânia são feitas por personagens secundários, principalmente pelo monstrengo Frankenstein, de longe a melhor figura do filme. Em certo momento, Drácula fala para o humano Jonathan: “Não explique a piada”, mas é exatamente isso que o longa insiste em fazer com o espectador a todo momento.

    Infelizmente a cópia exibida para a imprensa era dublada, fato que só ajuda a piorar a avaliação. Não posso afirmar se a versão original com vozes de Adam Sandler, Selena Gomez e Kevin James é tão ruim quanto a brasileira, mas o que chegará nas nossas telonas é uma mistura de termos traduzidos com grande mal gosto, com expressões que você não houve desde aquela reunião familiar com seus avós.

    Resumindo, Hotel Transylvânia deveria ser uma animação para todos os públicos, mas não consegue tal proeza. Diverte a criançada, mas adultos e adolescentes devem ficar entediados na primeira meia hora de exibição. Em uma época em que perfeição técnica não passa de obrigação dos estúdios, o filme é apenas mais um que deve fazer boa bilheteria e ser esquecido em poucos meses. Ah, fica a dica: prefira a versão tradicional, o 3D não empolga.