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    HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Para que o cinema brasileiro conquiste seu espaço no mercado nacional e internacional, é preciso que existam filmes capazes de criar novos públicos. Ou seja, filmes especialmente direcionados a crianças e adolescentes para que este "novo" público que circula pelos shoppings centers do País se acostume cada vez mais a entrar num cinema para ver um produto brasileiro, eliminando de uma vez por todas os preconceitos que infelizmente ainda existem contra o filme produzido aqui.

    Neste sentido, Houve Uma Vez Dois Verões é um trabalho da maior importância. Trata-se de uma rara produção brasileira feita especificamente para adolescentes e pré-adolescentes brasileiros, contando uma história brasileira, sem aquela enxurrada de babaquices escatológicas que há décadas a indústria norte-americana impõe goela abaixo nos multiplexes do mundo interior. Trata-se, sim, de um filme de resistência.

    A história fala de Juca e Chico, dois amigos adolescentes que saem de Porto Alegre para passar uma rápida temporada numa praia gaúcha. Como todo adolescente, eles só pensam em sexo. Na descontração da praia, o romance certamente acontecerá. De forma divertida, real e apaixonante. Mesmo porque a direção e o roteiro são do excelente Jorge Furtado, roteirista de Caramuru: A Invenção do Brasil, diretor de alguns dos melhores curtas-metragens brasileiros de todos os tempos (entre eles Barbosa, A Matadeira e Ilha das Flores) e responsável por alguns grandes momentos da dramaturgia cômica da Rede Globo (leia-se Comédias da Vida Privada e Os Normais, entre outros).

    É o próprio Jorge que diz: "Rapaz se apaixona por moça é o começo de Houve Uma Vez Dois Verões. Talvez você já conheça alguma história assim. É uma comédia, um gênero desprezado pela crítica, ignorado pelos festivais de cinema, mas, felizmente, muito apreciado pelo público. (...) Qual a novidade? Bem, a novidade é o rapaz, a moça, a praia, as músicas, a aventura, algumas piadas e as cenas de beijo. O resto é igual". É com esta simplicidade que o filme se aproxima de seu público. Uma simplicidade inteligente, criativa e muito bem-vinda.

    6 de setembro de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br