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    HULK

    Por Roberto Guerra
    22/05/2009

    Seria errado começar este texto afirmando que mais um herói dos quadrinhos chega às telas de cinema. Herói? O Hulk do diretor Ang Lee está longe da definição clássica de herói. Para
    começar, não está nem aí para os fracos e oprimidos e muito menos
    interessado em combater criminosos inescrupulosos. É apenas um
    gigante verde movido pela fúria passando por cima de tudo que
    atravesse seu caminho.

    Tão incomum quanto o personagem foi a escolha do
    introspectivo Ang Lee para dirigir o projeto. Realizador de
    filmes como O Tigre e o Dragão e Razão e Sensibilidade, pensar em Lee dirigindo um blockbuster sobre um monstro verde e raivoso era o mesmo que imaginar João
    Gilberto animando um trio elétrico na Bahia. E o risco de fiasco ficou ainda mais iminente quando se divulgou que o Hulk seria 100% digital. Mesmo com toda a tecnologia disponível hoje, ninguém esperava que o personagem parecesse mais do que uma
    animação interagindo com atores reais.

    Se era isso que você, leitor, pensava, pode relaxar.
    O Hulk do filme é bem real e não se parece em nenhum momento uma animação de computador. Tem expressões faciais bem-delineadas e personalidade. Não chega à perfeição de Gollum, o monstrinho de O Senhor dos Anéis - sem dúvida o mais perfeito personagem digital do cinema -, mas tampouco parece artificial; resultado do bom trabalho realizado pela Industrial Light & Magic, que prova ser ainda uma força na área de efeitos visuais.


    A História

    Se o que você conhece de Hulk se resume ao seriado exibido na década de 70 pela Globo e reprisado hoje em dia na TV a cabo, vai notar algumas diferenças. Mas saiba que, em relação ao original dos quadrinhos, foi a TV que modificou mais a história. No seriado, o médico (e não cientista) se chamava David Banner - o nome Bruce foi trocado por ter uma hipotética conotação homossexual na época e para fugir das aliterações típicas dos nomes dos heróis do quadrinho, como Clark Kent, Peter Parker e Louis Lane, por exemplo.

    Na versão de Ange Lee, a história de Bruce Banner (Eric Bana) ganha profundidade. Auxiliado pelo roteirista James Schamus - seu parceiro habitual - Lee explora bem a trajetória do personagem, dando detalhes científicos das experiências genéticas que levaram o cientista a se transformar numa criatura mutante e de temperamento instável. Por sinal, quem for ao cinema querendo ver, logo de início, o gigante verde botando para quebrar, pode esquecer. A primeira metade do filme é gasta toda nesse preâmbulo, que talvez tenha até se estendido demais, mas que não deixa dúvidas sobre as origens do personagem. Calma, calma, isso não significa que falte ação. Da metade do filme em diante, já feita as devidas apresentações, Hulk arrebenta literalmente. Nas cenas de confronto com o Exército, o que não faltam são demonstrações de força do verdão, derrubando helicópteros e esmigalhando tanques de guerra como se fossem brinquedinhos.

    Outro diferencial do filme foi a escolha de bons atores para os papéis coadjuvantes, o que contribui para enriquecer a trama. Temos a ex-namorada de Banner, a bela cientista Betty Ross, interpretada pela talentosa Jennifer Connely (Oscar de Melhor Atriz por Uma Mente Brilhante); o pai de Bruce, David Banner, papel que caiu como uma luva para o experiente Nick Nolte; além do eficiente Sam Elliot no papel do general que persegue Hulk. Eles, por sinal, se saem melhor do que o protagonista, o australiano Eric Banna - escolha pessoal de Ang Lee para o papel-, que até se esforça, mas acaba ofuscado pelo restante do elenco.

    Num universo em que certas adaptações de quadrinhos para as telas deixam a desejar, Hulk é no mínimo uma das mais bem-conduzidas. Ang Lee, que costuma dizer que "o cinema é a menos desenvolvida das artes, pois impõe um olhar ao espectador", fez questão de dividir a tela em vários momentos como se fosse um HQ, libertando nosso olhar para vasculhar o ângulo que bem quisermos, como fazemos ao folhear um gibi.

    Em tempo: Lou Ferrigno, o Hulk do seriado de TV, e Stan Lee, o criador do personagem, fazem uma ponta-relâmpago no filme.