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    EU, TONYA

    Eu, Tonya é um filme que merece ser visto mesmo que você não faça ideia que sem seja Tonya Harding
    Por Thamires Viana
    07/02/2018

    Filmes biográficos costumam cobrar muito dos atores, seja física ou emocionalmente. Algumas estrelas de Hollywood já falaram sobre a dificuldade que é interpretar personagens já existentes, que trazem bagagens e histórias que merecem um cuidado especial para chegar aos cinemas.

    Em Eu, Tonya, Margot Robbie não está nada menos do que impecável! A atriz de 27 anos é nova na indústria tendo poucos sucessos no currículo - O Lobo De Wall Street e Esquadrão Suicida – e segura a interpretação de Tonya Harding com garra de veterana. Foi um grande tiro ao alvo trazer a moça para esse elenco.

    Diferente de sua Arlequina, Robbie demonstra que consegue fazer um papel dramático sem forçar a barra. Em uma tomada, quando ela se prepara para uma competição e se desespera com um cadarço arrebentado, o reflexo de consolá-la é inevitável, tamanho é o convencimento da atriz na emoção da cena e o mergulho do espectador na história. Não é para menos sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz.

    A biografia acompanha toda a infância e vida adulta da ex-patinadora que chegou a disputar as olimpíadas, mas teve sua carreira interrompida após um escândalo que envolvia também seu ex-marido, Jeff, vivido pelo ator Sebastian Stan (Capitão América: O Soldado Invernal). Em 1994, sua colega Nancy Kerrigan foi atacada com um bastão de ferro e teve o joelho fraturado. Harding foi acusada de ser a mandante do atentado para tirar a moça das competições e após a condenação, foi proibida de exercer novamente o esporte.

    Com a infância marcada pelos maus tratos da mãe, LaVona, interpretada pela talentosa Allison Janney (Juno) – papel que lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante e indicação ao Oscar na mesma categoria – Tonya precisou buscar a perfeição exigida pela mãe desde cedo.

    Nessa fase, é Mckenna Grace (Amityville: O Despertar) quem vive a patinadora, e a atriz de apenas 11 anos não decepciona! É aqui onde Tonya mais sofre nas mãos de LaVona, como na cena onde é impossibilitada de ir até o banheiro para continuar treinando na pista de gelo. Grace segue firme desempenhando seu papel de maneira exemplar.

    Eu, Tonya tem um formato um tanto quanto diferente do que estamos acostumados a ver em biografias. Dirigido por Craig Gillespie (A Garota Ideal), o longa não se torna cansativo por seguir a história de maneira direta, já que em alguns momentos ele se assemelha com um documentário, trazendo os atores para falar diretamente às cameras.

    Outro grande ponto de criatividade do filme é que na maioria das cenas de agressão doméstica sofridas pela moça, é inserida a chamada "quebra da quarta parede" - quando há uma interação direta com o público - tirando um pouco a tensão do momento e lembrando o espectador de que aquilo é apenas ficção. 

    No quesito visual, palmas para a caracterização de Robbie. Além de criar toda uma bolha que envolve todos os trejeitos e um jeito peculiar de Harding (o que você consegue ver nas cenas reais mostradas no longa), a atriz foi muito bem preparada para o papel. Por horas, o espectador pode até se esquecer de como ela é por trás da maquiagem e dos enchimentos usados para viver a patinadora. 

    Eu, Tonya é um filme que merece ser visto mesmo que você não faça ideia de quem seja Tonya Harding. Nele existe drama, comédia, discussões sobre violência, relações familiares e força feminina, que foram tratados na dosagem certa para que um assunto não se sobreponha ao outro.

    Vamos frisar que as ótimas atuações do elenco te farão sair do cinema acreditando que uma história real triste e polêmica pode ser contada de maneira leve e inteligente.