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    ILEGAL

    Documentário debate uso medicinal da maconha
    Por Iara Vasconcelos
    07/10/2014

    Realizado pela produtora 3Film em parceria com a revista Superinteressante, Ilegal narra a dura trajetória de mães brasileiras que precisam enfrentar a burocracia para conseguir permissão para importar o medicamento CBD, anticonvulsivo derivado da cannabis sativa e, portanto, figura na lista de remédios proibidos no país.

    O documentário é baseado no curta-metragem de mesmo nome, inspirado na reportagem feita pelo jornalista Tarso Araújo, e mostra os avanços conseguidos por essas mulheres e seus respectivos filhos após a veiculação do vídeo e a comoção causada na mídia. Tarso também é o idealizador da campanha Repense, que por meio do sistema de crowdfunding – espécie de financiamento coletivo de projetos – tenta difundir a conscientização sobre o uso medicinal da maconha e incentivar pesquisa científica sobre o assunto.

    A personagem que deu início a toda essa mobilização foi a menina Anny Fischer, filha de Katiele Bortoli, que sofre de um grave e incurável tipo de epilepsia. Ela chegava a ter mais de 80 convulsões por semana, mas graças ao medicamento, as convulsões foram praticamente extintas. Após a repercussão do curta, Anny se tornou a primeira pessoa autorizada a usar a Cannabis medicinal no Brasil, o que mais tarde se estendeu a outros pacientes.

    O maior ponto de crítica do filme está na extrema burocracia para que se consiga uma autorização da ANVISA para importar o medicamento. As famílias vivem um impasse, pois para a liberação do remédio, é necessário laudo e parecer médico. Mas os profissionais que prescreverem algum derivado da maconha no tratamento de um paciente podem ter o registro profissional cassado pelo Conselho Federal de Medicina.

    Outro obstáculo enfrentado por essas pessoas é a desinformação e o preconceito daqueles que possuem uma ideia moralista sobre o uso da droga em todas suas formas. Apesar de possuir forte discurso libertário e que preza a individualidade, Ilegal está longe de ser apologista, afinal o enfoque principal é o uso medicinal da substância.

    O grande trunfo do documentário é justamente humanizar a discussão e trazê-la à realidade, sem estereótipos e julgamentos moralistas - fardo que toda pauta transgressora acaba carregando. Pela forma como as mães e as crianças são retratadas , fica claro que a intenção dos diretores Tarso Araujo e Raphael Erichsen é mostrar o drama humano e não apenas números estatísticos. E em tempos de ascensão do pensamento conservador, a obra se mostra como retrato forte e cruel do sistema extremamente burocrático do Brasil e bastante esclarecedor para quem ainda tem dúvidas sobre a necessidade da legalização da maconha e de se quebrar paradigmas para um bem comum.