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    ILHA DOS CACHORROS

    Por Daniel Reininger
    18/07/2018

    O segundo filme de animação stop-motion de Wes Anderson é feito, especialmente, para os amantes dos cachorros e todos aqueles que admiram a lealdade desses amigos de quatro patas, que nos trazem tantas alegrias. Só que, ao contrário do que parece, esse não é um filme fofo, é pesado, triste e está mais perto de uma aventura Cyberpunk sobre opressão e luta contra o sistema do que sobre bichos engraçadinhos e, por isso mesmo, essa é uma das suas obras mais interessantes até aqui.

    Ilha Dos Cachorros se passa num futuro próximo, na cidade japonesa de Megasaki, onde o corrupto prefeito Kobayashi exilou todos os cães em uma ilha próxima dominada pelo lixo. A desculpa é uma suposta doença canina que pode afetar humanos, mas, na verdade, ele está envolvido em um complexo esquema de vingança, que data de séculos atrás, quando os cães lutaram contra o clã Kobayashi, que são amantes de gatos.

    Meses após o exílio, uma matilha comandada por Chefe (Bryan Cranston) encontra uma criança de 12 anos, que fugiu de casa, roubou um avião e voou para a ilha para encontrar seu melhor amigo, Spots, mandado para lá no início da crise. Atari (Koyu Rankin) é o único ser humano que já tentou buscar seu amigo cachorro e, por isso, a maioria dos cães da matilha está disposta a fazer qualquer coisa para ajudá-lo, menos o prático Chefe, o mais humanizado do grupo, que não acha lógico ajudar o menino.

    Só que Chefe é arrastado para a aventura apesar de suas objeções. Eles viajam por locais destruídos, parques e laboratórios abandonados. O filme é uma alegoria dos problemas sociopolíticos do mundo atual, como todo bom sci-fi, mas traz o tom e a estética de Wes Anderson: contraste de cores berrantes e tons pastéis, visual surrealista e personagens estranhos repletos de problemas.

    É bem legal como as lutas não passam de nuvens de poeira, os ambientes são estilizados e o humor peculiar do diretor aparece em diversos momentos, seja em sequências ágeis, como uma grande batalha estilizada, ou horripilantes, como uma violenta máquina de extermínio de cães. A estética leve, contrasta com os temas e situações do longa e se torna outro aspecto capaz de fazer desse longa um suspense empolgante. É sobre personagens adoráveis em uma missão perigosa e imprevisível, enquanto tentam desesperadamente cuidar uns dos outros em um mundo governado por opressores corruptos determinados a acabar com toda sua raça.

    Esse talvez seja o filme mais fácil de Anderson, estética incrível, piadas boas, personagens fofos e cenários excêntricos, mas não deixa de ser emocionalmente maduro e inteligente. Praticamente todos os elementos possuem críticas profundas ao nosso mundo, como a manipulação das massas, xenofobia, opressão velada do governo, corrupção, peso político de grupos que não deveriam se envolver nesse campo, falta de empatia generalizada e muitas outras questões atuais. Não é difícil ficar revoltado, emocionado, incomodado e empolgado ao assistir essa aventura.

    Ilha Dos Cachorros é divertido acima de tudo. Emocionante, é impossível não terminar esse filme e correr para dar um abraço no seu animal de estimação. E, apesar de tudo isso, ainda é um longa capaz de alternar fofura, leveza e horror. Entretanto, caso você não queira pensar em nada disso, simplesmente vale curtir a aventura surreal de um menino e seus amigos cachorros.