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    INCÊNDIOS

    Indicado canadense ao Oscar lida com as dores e desenterra traumático passado de uma família<br />
    Por Heitor Augusto
    22/02/2011

    Na grande cena da revelação, aquela que permitira a Incêndios se colocar um degrau acima da narrativa cinematográfica contemporânea, o diretor Dennis Vileneuve puxa o freio e não confia inteiramente no poder de sugestão de suas imagens ou no magnífico diálogo “Jeanne, um mais um é igual a um?”.

    Pena. Incêndios é um filme de história poderosíssima que chegou muito perto de construir uma das maiores sequências do cinema a usar metáfora. Mesmo assim, este escorregão não tira a potência emocional do enredo e sua habilidade em comover.

    Como falar de um filme como este sem revelar os desdobramentos do enredo? Escrever sobre Incêndios remete à dificuldade intrínseca de ressaltar os méritos de Há Tanto Tempo que te Amo, produções parecidas na obstinação de ir fundo na dor de uma família. O que dá para dizer sem descortinar mistérios é: em termo de enredo, o longa canadense indicado ao Oscar é gol de placa; em relação à narrativa cinematográfica, é um chute seguro sem chances para o goleiro.

    Denis Villeneuve trabalha na contradição da vida que surge a partir da morte. Um evento que, em vez de encerrar uma trajetória, inicia um período de descobertas. Quem as realiza são os irmãos Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon (Maxim Gaudette). Os gêmeos recebem a incumbência, na abertura do testamento de sua mãe, de entregar uma carta ao seu irmão e ao seu pai.

    Irmão? Pai? Jeanne e Simon desconheciam sua existência. Ela acredita na mãe, ele se resguarda e diz que isso é uma loucura. O tabelião não abrirá os envelopes enquanto os irmãos não encontrarem quem sua mãe pediu. Começa a jornada. Saímos de 2010 e voltamos ao final da década de 1970. Estamos no começo da Guerra Civil do Líbano.

    Aos poucos, mais interrogações surgem em Jeanne. Acompanhamos o tempo presente, com a filha buscando os traços da mãe Narwan (Lubna Azabal). O passado entra com inserções de flashback, descobrimos um pouco mais que Jeanne sabe. Essa quase onisciência causa um terror gradativo em quem assiste.

    Direção segura, elenco sensivelmente competente (destaque para Melissa como a filha e Rémy Girard, o doente terminal de As Invasões Bárbaras, como o tabelião) e uma ótima-matéria prima de enredo (o roteiro de Denis Villeneuve é baseado na peça do libanês Wadji Mouawad) constroem o clima tocante de Incêndios.

    Se Lebanon traz o drama guerra e Valsa Com Bashir usa a animação para mergulhar nos pesadelos de um ex-soldado, Incêndios apresenta o contexto político para justificar as escolhas de uma mãe para preservar o que resta de sua integridade humana.