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    INDEPENDENCE DAY: O RESSURGIMENTO

    Sequência não chega aos pés do original, mas diverte
    Por Daniel Reininger
    20/06/2016

    Independence Day: O Ressurgimento é nostálgico, feito para quem adorou o primeiro filme e gostaria de saber como os amados personagens do original, como David Levinson (Jeff Goldblum) e Presidente Whitmore (Bill Pullman), estão vinte anos após salvarem o mundo da dominação alienígena. A tecnologia mudou dentro e fora da tela: os invasores têm armas ainda mais poderosas e o CGI é impressionante, mas a dinâmica entre os personagens muda pouco, assim como a trama, que segue a lógica do original.

    Isso é necessariamente um problema? Não, Star Wars: O Despertar Da Força fez isso ao praticamente recontar a história do filme original de 1977 e conseguiu agradar a todos. O novo Independence Day faz o igual, sem o mesmo nível de sucesso, verdade, mas de forma competente e ainda capaz de divertir, especialmente quem curte momentos heroicos em situações adversas.

    O problema é que, quando paramos para pensar, nem sempre os acontecimentos ou teorias científicas fazem sentido. Mas ninguém está indo ver o filme de uma invasão alienígena comandada por uma nave espacial gigantesca (do tamanho de metade da própria Terra) porque quer parar e pensar sobre o assunto, certo? Muito menos espera ver algo realista na telona. Então, vai depender de quanto cada um está disposto a encarar absurdos em nome do entretenimento.

    O roteiro é simples: aliens invadem o planeta e humanos precisam lutar contra eles usando astúcia, afinal suas armas são ineficazes. A narrativa abusa dos clichês e possui alguns furos, mas procura criar ganchos para expandir a franquia com novos elementos que permitem que a guerra contra os aliens tome novas proporções, algo interessante, porém desnecessário. Na verdade, a própria sequência é desnecessária, mas as obrigações comerciais de Hollywood falam mais alto sempre.

    Digo isso porque o longa está tão interessado em mostrar cenas impressionantes de destruição, que deixa de desenvolver seus personagens. Os veteranos estão de volta quase por obrigação, principalmente Bill Pullman, e muitos de seus diálogos são forçados e criados apenas para apelar para a nostalgia dos espectadores.

    Já os novatos nem sempre seguram a onda. Jessie T. Usher não tem muito espaço pra desenvolver seu papel, mas, de qualquer jeito, falta carisma ao ator. Liam Hemsworth faz o típico piloto habilidoso e babaca, sempre acompanhado do irritante Charlie, vivido por Travis Tope, e ambos não fariam falta se ficassem de fora.

    Independence Day: Ressurgimento tem momentos divertidos, bons combates e mais aliens do que nunca, porém o sentimento que fica é de que o filme todo é uma enorme homenagem aos 20 anos do original, ao ponto de replicar todos os principais momentos sem vergonha alguma.

    Faltou desenvolver os novos personagens e evitar trazer veteranos de volta sem motivo real. Além disso, o ritmo frenético da narrativa tenta esconder falhas de roteiro, mas só deixa tudo muito corrido, sem realmente oferecer um senso de urgência, como o primeiro fazia.

    É justo dizer que essa sequência é incapaz de chegar aos pés do original, entretanto, é um filme pipoca que não se leva a sério realmente e, por isso, tem potencial para agradar muita gente.