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    INFERNO

    Terceiro longa abraça clichês e reviravoltas previsíveis
    Por Iara Vasconcelos
    11/10/2016

    A parceria de longa data entre Ron Howard e Dan Brown deu origem a mais um filme. Apesar de ser visto como uma continuação de O Código Da Vinci e Anjos E Demônios, o longa conta com um elenco renovado, com Felicity Jones, Omar Sy, Irrfan Khan e Ben Foster, enquanto Tom Hanks reprisa o papel do professor Robert Langdon.

    O longa começa com Langdon tendo terríveis visões sobre o que seria o fim do mundo. Pessoas com feridas espalhadas pelo corpo, acometidas por pragas, ruas inundadas por águas vermelhas e fogo. Quando acorda de seu pesadelo, ele se vê em um quarto de hospital sob os cuidados da Dr. Sienna Brooks (Felicity Jones). A médica conta ao professor que ele tomou um tiro de raspão na cabeça e que foi encontrado misteriosamente nas ruas de Florença, na Itália. Tudo piora quando o professor não consegue se lembrar de nada do que aconteceu e nem como foi parar ali. Logo em seguida, a dupla é surpreendida por uma mulher armada que atira contra eles.

    Por sorte, conseguem fugir e vão até o apartamento de Sienna. Lá, Langdon descobre que está em posse de um mapa do inferno de Botticelli modificado para inserir pistas sobre o paradeiro de um vírus mortal, criado por um bilionário lunático, que acredita que o mundo está superpovoado e que as desgraças naturais são causadas por esse fato. Segundo suas crenças, o futuro do planeta só estará salvo se a humanidade for reduzida pela metade. A partir daíLangdon e Brooks – que é uma grande conhecedora de história – embarcam em uma frenética corrida contra o tempo para encontrar o vírus antes que outras pessoas mal-intencionadas o façam.

    A ação começa logo no início do filme e os fatos vão se desenrolando sem rodeios. Howard é um diretor experiente e consegue dominar bem o ritmo da narrativa, fazendo com que a história de desenrole de maneira ágil ao longo das duas horas de filme. Como já é de costume na franquia, ele aposta forte no misto de ação-turística, tão comum em franquias como 007, onde a perseguição só faz sentido se aliada ao belo cenário ao redor. A estratégia pode ser clichê e antiquada, mas serve à proposta de "caça ao tesouro" do filme. O longa sabe explorar muito bem as paisagens da Itália e da Turquia. As cenas filmadas no Palazzo Vecchio, por exemplo, revelam alguns detalhes e segredos da construção que só são acessíveis a historiadores, guias e por pessoas como Langdon, é claro.

    Hanks entrega mais uma boa atuação na pele do professor de simbologia, mas Felicity Jones não empolga na pele de Sienna. Ela mantém o tom "blasé" até mesmo depois de uma grande revelação envolvendo sua personagem. Já o francês Omar Sy e o indiano Irrfan Khan chamam a atenção mesmo com papéis de pouco destaque. Aliás, essa diversidade no elenco é um dos pontos positivos da produção.

    Quanto a trilha sonora, Hans Zimmer apresenta mais do mesmo e até chega a repetir alguns dos temas presentes nos filmes anteriores da franquia.

    Assim como seus antecessores, Inferno ainda mantém a aura de "enlatado de Hollywood", que abraça clichês e reviravoltas previsíveis. Dessa vez, nem os belos cenários italianos, nem o carisma de Hanks, conseguiram salvar a trama de um desenrolar tedioso e uma conclusão genérica, que poderia pertencer a qualquer outro filme cujo tema é "salvar o mundo".