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    INFIDELIDADE

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Um dos maiores problemas que um filme pode ter é quando ele não consegue criar uma empatia forte entre seus personagens e o público. Em outras palavras, quando a platéia não se sente motivada em "torcer" pelos destinos dos protagonistas. Este talvez seja o principal problema de Infidelidade, drama norte-americano baseado no filme francês A Mulher Infiel, que Claude Chabrol dirigiu em 1969.

    Com pouca emoção, o diretor inglês Adrian Lyne (o mesmo do super badalado 9 e ½ Semanas de Amor) conta a história de Connie (Diane Lane, de Mar em Fúria), uma mulher de classe alta que por acaso conhece um charmoso francês durante uma forte ventania em Nova York. Ele é Paul (o parisiense Olivier Martinez, visto em A Camareira do Titanic e Antes do Anoitecer), típico representante de todos os estereótipos que se esperam de um europeu sedutor: mais novo, intelectual, simpático, barba por fazer, cabelos esvoaçantes, apreciador de vinhos, um certo desleixo estudado e - é claro! - uma incrível disposição para fazer amor em lugares e posições, as mais diferentes. Connie não resiste. Afinal, Paul representa exatamente o oposto da vida cara, asséptica e seguramente previsível que ela tem em sua luxuosa mansão no subúrbio. Os opostos imediatamente se atraem. Logo se estabelece o conflito: de um lado, uma aventura de sonhos. Do outro, a segurança de um relacionamento estável ao lado do marido Edward (Richard Gere).

    Tal conflito, porém, é conduzido friamente pelo diretor. Os personagens parecem distantes, sem identificação com o público. Muitas situações forçadas contribuem para a falta de química entre tela e platéia. A ventania que joga Connie nos braços de Paul, por exemplo, é um pouco difícil de aceitar. Assim como a facilidade que Edward encontra para carregar um peso que teoricamente seria muito grande (convém não contar o que é, para não estragar a trama). E como as pessoas se encontram facilmente nas ruas de Nova York, não? Mais: quem em sã consciência consegue acreditar que o jovem (e feinho) Erik Per Sullivan, do seriado de TV Malcolm, possa ser filho de Gere e Diane? Um flagrante erro de casting.

    O resultado é um filme longo, sem ritmo nem envolvimento, que dificilmente segura a atenção do público durante todos os seus 124 minutos de projeção.

    7 de junho de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br