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    INIMIGOS PÚBLICOS

    <p>Câmera na mão e enquadramentos intimistas aproximam o espectador à trama</p>
    Por Angélica Bito
    22/07/2009

    Alguns bandidos exercem certo fascínio, tornando-se figuras notórias. John Dillinger [1903 – 1934] foi um deles. Atuando nos EUA em plena Depressão de 30, tornou-se uma espécie de herói do povo por assaltar bancos numa época em que essas instituições eram responsabilizadas pela crise econômica que assolou o país, um verdadeiro Robin Hood do século 20.

    Coube a Johnny Depp (Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet) o desafio de dar vida ao ladrão de bancos conhecido pelo porte atlético, o carisma e por conseguir assaltar um banco em menos de dois minutos no longa-metragem Inimigos Públicos. O filme não pretende retratar de forma “quadrada” a vida do personagem, mas sim explorar os acontecimentos que antecederam sua morte, em diversas esferas. O roteiro, escrito por Ronan Bennett, Ann Biderman (Copycat – A Vida Imita a Arte) e Michael Mann (Miami Vice), este último também diretor do longa, interessa-se na forma como o grupo de Dillinger se organizou para atingir a notoriedade que teve, ao mesmo tempo em que explora a vaidade do bandido e o romance com a bela Billie Frechette (Marion Cotillard, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz por Piaf - Um Hino ao Amor).

    Paralelamente, Inimigos Públicos também desenvolve a formação do FBI, instituição de combate ao crime criada a fim de tornar mais organizada, digamos, a ação da polícia na captura de bandidos, esses sim realmente organizados. Sob o comando de Melvin Purvis (Christian Bale) – policial obcecado pela captura de Dillinger -, os policiais passam a agir de forma organizada, focando na investigação e no trabalho da inteligência. O foco do longa está em ambos os lados, “mocinhos” e “bandidos”, mas jamais adquire uma posição maniqueísta.

    Inimigos Públicos toca em alguns assuntos pontuais nessa criação do FBI: a notoriedade dos bandidos, elevados ao status de celebridades numa época de depressão econômica; a relação da imprensa com ambos os lados da lei; o conflito de vaidades; e, principalmente, a audácia de Dillinger, que chega a conversar com policiais do departamento do FBI criado para sua caça sem ao menos ser reconhecido – momento que reproduz uma das passagens na vida do personagem, por mais absurda que pareça -, criando um retrato bastante interessante. A direção de Mann, com câmera na mão e enquadramentos intimistas – aliada às boas atuações - ajuda a levar o espectador a ter uma visão fora do convencional em se tratando de um tema tão explorado no cinema norte-americano.