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    A SÉRIE DIVERGENTE: INSURGENTE

    História batida e falta de lógica afundam sequência
    Por Daniel Reininger
    18/03/2015

    Divergente se perde, principalmente, pela necessidade de colocar sua protagonista como a escolhida para salvar o mundo, algo desnecessário e mais do que batido. Infelizmente, esse aspecto é o ponto principal da sequência, Insurgente. Portanto, não espere melhoras em relação ao primeiro. Mas só isso não basta para o fiasco do longa, o qual também sofre com roteiro sem sentido, personagens com atitudes ilógicas e motivações rasas que transformam a frágil história criada por Veronica Roth em filme dispensável.

    Para começar, o motivo para a sociedade ter se dividido de tal forma após um evento apocalíptico parece ter sido descartado por completo. Tudo mudou, o próprio sistema é corrompido por dentro e não segue mais os ideais originais. Oras, se a história é sobre como um tirano toma o poder e como alguns resistem a ele, para que criar elementos como divisão da sociedade e outros aspectos que pediam uma história mais profunda? É firula demais quando nada disso vai ser utilizado como fator predominante.

    Mas a forma como a história é conduzida é só mais um problema dessa fraca sequência. É a constante falta de lógica que mais incomoda. Nada faz sentido, das atitudes dos personagens ao mundo em volta deles. O começo é bom exemplo disso: Tris (Shailene Woodley), seu namorado Quatro (Theo James), seu irmão Caleb (Ansel Elgort) e seu amigo Peter (Miles Teller) estão escondidos com o pessoal da Amizade, a comunidade hippie da franquia. Apenas três dias se passaram desde o último filme, mas Tris já age como veterana de guerra com a obrigação de salvar a humanidade.

    Outro bom exemplo é o fato das tropas fieis à Erudição demorarem absurdos três dias para decidirem procurar o grupo no local mais óbvio possível e, pior, já aparecem com uma tecnologia altamente revolucionária que pode identificar Divergentes em segundos – algo impensável no primeiro filme. Lembre-se, a batalha do primeiro filme aconteceu apenas três dias antes.

    A melhor parte da franquia é a fragilidade adolescente e os testes de realidade virtual, onde a falta de lógica faz todo sentido, mas esses aspectos ficam de lado, escondidos sob o foco de uma rebelião desorganizada e sem carisma. O longa usa e abusa de elementos capazes de estragar a narrativa, como alianças feitas por nada, exércitos secretos que aparecem convenientemente quando necessário, cenas emotivas que só acontecem graças ao soro da verdade e vilões caricatos.

    Embora Kate Winslet faça o possível para salvar as coisas, ela parece ser a única a levar a atuação como coisa séria. Isso sem falar nas inexplicáveis participações de Octavia Spencer e Naomi Watts. Seus personagens são importantes, mas elas são totalmente deixadas de lado e, quando aparecem, não conseguem causar empatia. Problema de direção de Robert Schwentke (do péssimo R.I.P.D. - Agentes Do Além), responsável por dirigir não apenas este filme, mas também os dois próximos, infelizmente.

    O que mais incomoda é o fato da série Divergente não funcionar mesmo com temas como realidade virtual, organização da sociedade em castas, manipulação genética e política, além de diversas questões comuns a adolescentes, como aceitação, momento de sair de casa e primeiro amor. Embora a direção e roteiro sejam parte do problema dos dois primeiros longas, o material original também atrapalha, afinal desde o começo explora as questões erradas e insiste no erro até o final, sem entender onde a verdadeira história está de fato.