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    INTERESTELAR

    Ambicioso sci-fi é muito mais do que história sobre o espaço
    Por Daniel Reininger
    03/11/2014

    Em seu primeiro trabalho após o fim da trilogia Batman, Christopher Nolan foi ambicioso e decidiu fazer seu próprio 2001: Uma Odisseia No Espaço. O resultado é uma ficção científica capaz de impressionar, com mais pé no chão do que o clássico de Kubrick, porém repleta de teorias científicas que podem confundir o espectador desavisado. Mas não se assuste, o longa vai muito além da ciência. É capaz de emocionar e divertir com belas imagens, enquanto conta uma grande história sobre o que é ser humano e as consequências de nossas escolhas.

    Motivo de grande expectativa, além do cineasta, é a presença de Matthew Macconaughey, em sua primeira aparição desde o Oscar de Melhor Ator por Clube De Compras Dallas - consagração após dois anos de interpretações soberbas no cinema e na TV. No papel de Cooper, homem que enfrenta o dilema moral de abandonar sua família para tentar salvar a humanidade, ele não decepciona com grande atuação. A capacidade de Matthew é tanta que consegue dar intensidade e credibilidade até nos momentos mais clichês do roteiro. A presença de atores consagrados, como Anne Hathaway, Michael Caine e Jessica Chastain também ajuda, claro.

    Envolto em segredos desde o início da produção, a pedido da distribuidora, não podemos contar detalhes da trama, afinal praticamente qualquer comentário seria spoiler. O que podemos dizer é que o filme faz um trabalho espetacular de ambientação, criando uma convincente Terra moribunda, na qual o protagonista, ótimo piloto e engenheiro, é obrigado a trabalhar como fazendeiro para tentar alimentar o que restou da humanidade. A desesperança é tanta que os livros de história foram reescritos para desmentir até a ida à Lua, tudo para impedir crianças de sonhar. Como consequência, a Terra é tão diferente da que conhecemos que se torna tão interessante quanto planetas alienigenas visitados na produção.

    Visualmente, o longa é impressionante e precisa ser visto no cinema, de preferência em Imax. Nolan é mestre no uso de efeitos especiais, principalmente efeitos práticos e não apenas por computação gráfica. A forma como mistura esses elementos é impactante e reforça a habilidade estética do cineasta. Além disso, músicas épicas alternadas com momentos de silêncio, como acontece em Gravidade, ajudam a criar a atmosfera de tensão.

    Interestelar impressiona com uma imaginativa fábula espacial, repleta de elementos raros de serem vistos no cinema. Paralelamente, possui grande carga emocional e é capaz de arrancar lágrimas ou, ao menos, criar empatia com os personagens. É claro que existem problemas: algumas teorias científicas são distorcidas para se adequarem às necessidades e certos personagens tomam atitudes inexplicáveis para gerar tensão.

    Na verdade, o clímax é o momento mais problemático da produção. Muitas das prioridades dos personagens mudam radicalmente e as decisões parecem aleatórias ou convenientes demais. O roteiro, por sua vez, dá uma guinada brusca a fim de resolver problemas apresentados anteriormente, mas a solução, em termos narrativos, é relativamente simplória. Além disso, um dos momentos de maior surpresa pode ser previsto com certa antecedência pelos mais atentos, diminuindo o impacto no momento da revelação.

    São problemas pequenos comparados à grandiosidade de Interestelar. O longa não evita temas complexos, na verdade os abraça com segurança e os explora de forma compreensivel e cinematográfica. A ótima construção dos personagens e do mundo que os cerca garantem elementos primordiais para tornar essa fantástica história credível. Questões filosóficas também estão presentes no questionamento sobre o lugar da humanidade no universo e a necessidade de sobrevivência a todo custo, não só como individuos, mas também como espécie. É uma obra que, no final das contas, vai dialogar com cada espectador de forma diferente e, por isso mesmo, precisa ser vista por todos.