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    INVOCAÇÃO DO MAL

    Terror recicla clichês, mas assusta com eficiência
    Por Roberto Guerra
    08/09/2013

    Terror é dos gêneros em que menos se inova no cinema. Raramente aparece algo novo e, quando alguém faz diferente, é logo copiado a exaustão. Não demora muito e o que era novidade vira dejà vu. Invocação do Mal não se propõe a ser díspar, é apenas uma mistura de clichês do gênero que busca assustar o espectador. E tem êxito já que o diretor James Wan (Jogos Mortais) trabalha o material reciclado com habilidade.

    Apesar da sensação permanente de eu-já-vi-isso-antes, Wan aplica bem as regras básicas do gênero: constrói a tensão aos poucos, não entrega o jogo logo de cara e, nos momentos certos, sabe administrar temores primários como medo de escuro, ruídos desconhecidos, espíritos malignos e, pior, a possibilidade das tais entidades do mal estarem, por exemplo, debaixo de sua cama ou em seu guarda-roupa.

    E por falar em dejà vu, a trama é inspirada numa "história real", o caso de possessão demoníaca mais obscuro e assustador enfrentado por Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), casal de especialistas em almas malignas de adoram sair por aí possuindo objetos e corpos. Ele é o único demonologista não-padre reconhecido pelo Vaticano. Ela, uma clarividente com superpoderes para detectar o mal onde quer que ele se esconda.

    A dupla de super-heróis do mundo sobrenatural vive de fazer palestras sobre o assunto - nas quais afirmam ser fantasia a maioria dos casos de possessão - e visitar lugares supostamente amaldiçoados. Uma dessas visitas abre o longa, num prólogo sobre uma boneca possuída que nada tem a ver com a trama central do filme – funciona apenas como uma pílula para induzir o espectador a entrar no clima do que vem adiante.

    Medo estabelecido, Invocação do Mal parte para o ano de 1971. Conhecemos o casal Roger (Ron Livingston) e Carolyn (Lili Taylor), que muda-se com as filhas para um casarão no meio do nada às margens de um lago. A casa é velha, de madeira, tudo range, tem porão cheio de objetos antigos, uma grande árvore no quintal aos pés da qual a caçula acha uma caixa de música com um espelho giratório que traz um amigo imaginário de brinde.

    Não falta nada no cenário macabro, a não ser esperar pela noite. Ah, e como não poderia faltar, a família tem um cachorro que, claro, percebe antes de todo mundo que tem algo errado na casa. Percebe e vai pagar caro por sua ousadia canina.

    É desnecessário dizer o que vem adiante. Tudo é muito familiar e muito óbvio, mas Invocação do Mal ao menos não chega a ser enervante como certos filmes de terror atuais incapazes sequer de pregar um bom susto. O sobressalto vem de tempos em tempos, seja obtido honestamente com o desenvolvimento do clima de tensão, seja arrancado a fórceps com técnicas de edição.