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    IRREVERSÍVEL

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    A primeira coisa que me vem à cabeça depois de assistir a Irreversível é: para que tudo isso? Partindo de uma história relativamente fraca - um homem parte atrás do estuprador de sua namorada - , o diretor Gaspar Noé faz, na película, uma série de experimentações estéticas para mexer com o espectador. Nem que seja para provocar náuseas.

    As letrinhas sobem na tela. São os créditos, mas eles rodam ao contrário. Este é o começo do filme. Irreversível já tem um início diferente: de trás pra frente. Nenhum ineditismo: Christopher Nolan já fez isso em Amnésia, de 2000. Ok, vamos em frente. A câmera gira, gira e gira. Não conseguimos distinguir rostos ou silhuetas. A fotografia, que de início é predominantemente vermelha, escura, sombria, aos poucos vai perdendo a intensidade enquanto descobrimos quem é quem na trama. A câmera gira e treme menos; o filme começa a ser "normal" à medida que avança/ retrocede.

    São poucos personagens: a bela Monica Bellucci (Malena) é Alex, a namorada. Seu namorado, Marcus, é interpretado por Vincent Cassel (O Pacto dos Lobos) e é marido de Bellucci na vida real. Pouco se pode dizer sobre esse filme exatamente porque não há nada demais no roteiro. Agora, há uma cena em especial que você deve estar esperando para ler sobre desde o início deste texto: aquela na qual Alex é estuprada por, aproximadamente, dez minutos. Foi essa a cena que fez quase 200 pessoas abandonarem a sala quando da exibição do filme no Festival de Cannes em 2002. O trecho é realmente chocante, tanto quanto uma das que antecedem, na qual um homem é espancado com um extintor de incêndio.

    A impressão que fica é que Noé quis provocar o espectador. Causar náuseas, desconforto, incômodo a fim de transmitir o que seus personagens sentem. Para aqueles que acreditam que o cinema deve acrescentar algo em nossas vidas, Irreversível pode ser uma decepção. Mas, como experiência cinematográfica, o filme é bem interessante.