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    IT: A COISA

    Por Daniel Reininger
    06/09/2017
    7/10

    IT: A COISA

    16
    Terror

    Tantas obras de Stephen King perderam sua essência quando adaptadas para o cinema, como é o caso de A Torre Negra recentemente, que a cada novo longa baseado em sua obra, um mar de desconfiança acompanha a produção. Era o caso com It: A Coisa, mas o diretor Andy Muschietti consegue colocar todas as dúvidas de lado e captura bem o espírito da obra original e cria um filme nostálgico e divertido.

    A trama se passa durante o verão de 1989 em Derry, Maine, cidade com o maior índice de desaparecimentos dos EUA. A história acompanha sete crianças que enfrentam seus piores medos trazidos à vida por um palhaço demoníaco que se alimenta do pavor alheio. Pennywise é assustadoramente interpretado por Bill Skarsgård, que, inspirado, se torna o pior pesadelo de qualquer um.

    Eventualmente, os protagonistas decidem agir contra o monstro, claro, mas acima do tudo o filme é sobre amizade e angustias da infância e início da adolescência. As missões aos esgotos em busca do irmãozinho desaparecido de um dos membros do grupo são os momentos ideais para lidar com essas questões com humor e ainda garantir o suspense necessário para a narrativa funcionar. Os diálogos entre os garotos expõem suas ansiedades e incertezas sobre crescer e a necessidade de enfrentar seus medos. A dinâmica lembra muito filmes como Os Goonies, Conta Comigo e Clube Dos Cinco.

    E o melhor é que os atores infantis estão à altura do desafio e dão vida a personagens memoráveis que poderiam fazer a história funcionar mesmo se não existissem elementos sobrenaturais ou assustadores na obra. A presença do palhaço demoníaco Pennywise só faz as coisas ficarem ainda mais interessantes.

    O problema é que as coisas ficam repetitivas quando cada criança enfrenta seu maior medo com resoluções similares, antes de perceberem que todos passaram pelo mesmo evento e decidirem agir juntos. Essas cenas também alongam o filme demais e seria melhor se a trama focasse apenas em três ou quatro personagens e não nos sete. O problema de ritmo aparece novamente no final, com uma conclusão demasiadamente demorada.

    Visualmente o longa é impecável. Pennywise é assustador, os cenários recriam bem os anos 80 e a produção de arte abusa da nostalgia. Além disso, a fotografia alterna bem entre luz e sombra e garante a atmosfera de tensão. É quase como se Stranger Things tivesse ganhado uma versão para o cinema, afinal, a lógica de IT e da série da Netflix é a mesma, com a diferença que esse filme não tem medo de arrancar um braço ou outro na tela.

    IT: A coisa é uma grande adaptação de Stephen King e captura muito bem o espírito da obra original. A trama dos garotos é o grande destaque do filme e a forma como eles interagem e se descobrem enquanto desvendam os assassinatos fazem do filme algo nostálgico e fora do óbvio ao mesmo tempo. Boas atuações, roteiro sólido e a tentativa de evitar clichês garantem diversão de qualidade do começo ao fim.