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    JACK: O CAÇADOR DE GIGANTES

    Linguagem infantilizada e gigantes sem personalidade marcam adaptação do conto de fada<br />
    Por Daniel Reininger
    28/03/2013

    Transformar contos de fadas em filmes de ação se tornou uma fórmula lucrativa em Hollywood. Produções como João e Maria – Caçadores de Bruxas, Branca de Neve e o Caçador e A Garota da Capa Vermelha reinventam histórias clássicas e procuram agradar ao público jovem com visual e linguagem modernos e belos protagonistas apaixonados.

    Jack: O Caçador de Gigantes, novo filme de Bryan Singer, usa linguagem mais infantil e cartunesca do que outros do mesmo gênero. A narrativa é baseada na Jornada do Herói e a trama segue, de forma rasa, o estilo capa e espada. Esses aspectos criam entretenimento apropriado para todas as idades, porém, com mais apelo entre as crianças.

    Na trama, o camponês Jack (Nicholas Hoult) e a princesa Isabelle (Eleanor Tomlinson) cresceram ouvindo histórias sobre os gigantes, seres sedentos por sangue que vivem entre o céu e a terra. Após invadirem os reinos humanos há milhares de anos, as criaturas foram vencidas por um rei em posse de um artefato criado a partir do coração de um dos monstros. Após a vitória, o monarca mandou cortar o enorme pé de feijão que ligava os dois mundos. Entretanto, a lenda vira pesadelo quando Jack troca o cavalo de seu tio por feijões mágicos e, inadvertidamente, recria a ligação entre os mundos, colocando a princesa em perigo.

    O longa conta demais com efeitos especiais e, considerando seu orçamento de US$ 175 milhões, o trabalho não foi bem feito. Os gigantes parecem todos iguais, com raras exceções, fazendo da legião de monstrengos uma massa cinza sem vida. Eles não são nem bizarros nem realistas o bastante, portanto, parecem deslocados no mundo à sua volta. Somente o líder dos colossos, interpretado pelo ótimo Bill Nighy, é minimamente interessante. Dito isso, os cenários criados em CGI são belíssimos, nada mais justo, afinal o dinheiro tinha que ir para algum lugar, certo?

    O visual dos gigantes é tão ruim quanto sua falta de personalidade e a forma ridícula como podem ser vencidos. Os grandões são tão subestimados na trama ao ponto do real vilão nem mesmo ser um deles e sim Lorde Roderick (Stanley Tucci), conselheiro real, líder do exército e noivo de Isabelle. O cara não procura esconder nem por um minuto suas intenções de usar os monstros para conquistar o mundo, em uma atuação sofrível de Stucci.

    Interpretações exageradas e caricatas são armadilhas das quais todo o elenco é vítima, até mesmo os experientes Ewan McGregor e Ian McShane, acentuando a linguagem infantilizada. Diálogos simples e piadas bobas, como o cozinheiro limpando o nariz antes de enrolar Elmont (McGregor) em massa de pão, além das roupas e penteados modernos (nada a ver com cenários de fantasia), deixam o filme menos atrativo para quem já passou da puberdade.

    O mais curioso é ver a produção cair em paradoxo ao exagerar nas cenas violentas, nas quais os gigantes comem humanos de formas grotescas e partes de corpos voam, sem sangue, pela tela. Isso sem falar nas lutas até a morte, a melhor delas lembra a de Simba e Scar em O Rei Leão. Seriam essas inconsistências fruto da indecisão dos produtores? Ou o diretor usufruindo de sua liberdade para deixar sua marca? A segunda opção parece a mais provável.

    Mesmo com todos esses problemas, Bryan Singer é experiente o suficiente para manter o bom ritmo, com isso Jack: O Caçador de Gigantes deixa no chinelo bombas como João e Maria - Caçadores de Bruxas. Apesar de não ter o charme das obras originais dos irmãos Grimm ou das versões da Disney, serve como mais uma opção quem gosta de contos de fadas modernos.