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    JACK REACHER: SEM RETORNO

    Nem carisma de Tom Cruise salva essa sequência genérica
    Por Daniel Reininger
    23/11/2016

    O primeiro Jack Reacher é um bom filme de ação e apresenta um personagem interessante interpretado por Tom Cruise. A sequência, entretanto, tenta humanizar o protagonista e, como consequência, perde exatamente o elemento que faz o primeiro ser divertido: seu lado visceral. Para complicar, essa continuação soa genérica e os clichês se multiplicam a cada cena, tirando boa parte da graça.

    A sequência ser inferior ao original nem chega a ser uma surpresa, afinal isso é muito comum em Hollywood, mas, normalmente, esperamos que o filme siga as premissas do primeiro e, de alguma forma, seja capaz de divertir pelo menos naquelas duas horas em que estamos compromissados com a obra. Jack Reacher: Sem Retorno não atinge esses objetivos, culpa dos problemas citados acima e também da arrastada narrativa de longa duração com dois ápices, entre os quais o segundo é totalmente dispensável.

    Na trama, o ex-major Reacher (Cruise) continua a fazer justiça com as próprias mãos com ajuda da major Turner (Cobie Smulders). Os dois se tornam amigos e, quando decidem se encontrar pessoalmente, Jack descobre que Turner foi presa sob acusação de espionagem. Com faro para conspirações, o protagonista decide tirá-la da prisão e fazer de tudo para limpar seu nome. No processo, ele ainda descobre que tem uma filha de 15 anos que será convenientemente usada pelos bandidos como forma de atingi-lo.

    Como você pode imaginar, a subtrama da filha é totalmente dispensável. Só está lá para tentar mostrar o lado humano de Jack e para justificar o segundo clímax, cuja existência é um dos maiores erros dessa produção. Além disso, a brutalidade do primeiro filme ficou de lado e dessa vez a trama parece um amontoado de acasos com desfechos bastante ridículos e repletos de frases de efeito.

    A forma como a personagem de Smulders, uma militar bem treinada, tão forte quanto o protagonista e com muito mais a perder na situação do que Jack, sempre fica de lado é incômodo. Em uma das cenas, o roteiro até tenta justificar essa questão quando Turner discute o machismo com Reacher, porém o assunto não é tratado com seriedade e a cena parece deslocada. Sem falar que falta química ao par de protagonistas.

    Jack Reacher: Sem Retorno tem algumas boas cenas de ação, mas a forma como a narrativa se desenvolve é bem maçante, repleto de coincidências e situações sem sentido para justificar o próximo tiroteio, os quais são, sem surpresa, os melhores momentos da obra. Mesmo com Tom Cruise ainda no auge, afinal ele entregou um de seus filmes mais memoráveis em 2015 (Missão: Impossível - Nação Secreta), Sem Retorno está longe de ser um dos momentos altos de sua carreira.