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    OPERAÇÃO SOMBRA: JACK RYAN

    Ação, velhos clichês e um Jack Ryan que se justifica mal
    Por Roberto Guerra
    04/02/2014

    É difícil se desapegar de velhos inimigos. O famoso personagem de Tom Clancy volta às telas enfrentando um vilão russo à moda antiga, apesar do longa ser ambientado nos dias atuais e a Guerra Fria fazer parte do passado. Jack Ryan (desta vez vivido por Chris Pine) enfrenta Viktor Cherevin (Kenneth Branagh, também diretor), oligarca russo que pretende afundar a economia norte-americana com um misto de ataque terrorista e movimentação financeira gigantesca que levará o país a uma segunda Grande Depressão.

    Ao contrário de A Caçada ao Outubro Vermelho, Jogos Patrióticos, Perigo Real e Imediato e A Soma de Todos os Medos (com o protagonista interpretado respectivamente por Alec Baldwin, Harrison Ford e Ben Affleck), esta quinta versão não tem por base um livro de Clancy, falecido em outubro de 2013. Mesmo não se tratando de uma adaptação de uma de suas obras, as características básicas do herói são mantidas: ex-mariner ferido em combate, recrutado pela CIA em seu regresso à vida civil.

    Um dos problemas do roteiro de Operação Sombra é não tornar defensável a escolha de Ryan para a missão. Ele sabe lutar, atirar, escapar de emboscadas, dirigir em alta velocidade... Em suma, o básico que um agente de campo de filmes de ação deve saber. Todas essas habilidades físicas estão intactas mesmo depois do grave acidente que sofreu e de ter passado os últimos anos em frente a um computador monitorando transações financeiras suspeitas para a inteligência americana.

    Dá até para revelar, vá lá. A questão, no entanto, é que o diferencial de Ryan são suas habilidades analíticas e estas se resumem a um monólogo no clímax do filme em que comanda um grupo de agentes diante de telas de computador. Estes cruzam informações de bases de dados de redes sociais para desvendar as vilezas e próximos passos de Viktor Cherevin. Nada muito impressionante para justificar a necessidade do personagem.

    De resto, recorre-se a velhos clichês, como Ryan entrando num prédio de segurança máxima para roubar arquivos de um computador ou correndo pelas ruas de Moscou para salvar a donzela em perigo – sua namorada, vivida por Keira Knightley. Kenneth Branagh se esforça – como vilão e diretor –, mas não consegue fazer Operação Sombra ir além de um thriller minimamente funcional, daqueles que dependem muito da boa vontade do público para assim sê-lo.