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    JEAN CHARLES

    <p>Apol&iacute;tico, fic&ccedil;&atilde;o sobre brasileiro assassinado cria personagem encantador</p>
    Por Heitor Augusto
    28/06/2009

    Henrique Goldman conseguiu um feito que, guardadas as imensas devidas proporções, Carlos Reichenbach fizera em Falsa Loura: fidelidade e veracidade ao construir um pequeno retrato de um grupo. Reichenbach com o proletariado paulistano por meio de uma musa de chão de fábrica; Goldman com imigrantes brasileiros em Londres por meio de um mineiro caipira.

    Este mineiro é Jean Charles de Menezes, brasileiro assassinado em 2005 pela polícia britânica, que alegou tê-lo confundido com um terrorista. Este é o personagem recriado por Goldman em Jean Charles. O diretor optou por não priorizar a responsabilidade da polícia, apresentando um personagem alegre, empolgante, engraçado, agregador, astuto e por vezes picareta. Uma “celebração”, segundo suas próprias palavras.

    E por que a comparação com Reichenbach? Por causa da veracidade do figurino de Veri Ferraz, os movimentos documentais da câmera de Guillermo Escalón, a sempre bem-vinda interpretação de Selton Mello como Jean e, acima de tudo, pelo texto criado por Goldman e Marcelo Starobinas, fluido e sem academicismos – realmente parece ter saído da boca daquelas pessoas.

    Por exemplo: “Esse aqui é o George Foreman, original!”, diz Alex (Luís Miranda) de boca cheia sobre grill que virou hit. Ou senão: “Brasileirada aqui é que nem Gremlins, você joga água e nasce mais uns trezentos”, “filosofa” Jean. Pequenos detalhes que, somados, formam um conjunto crível e encantador. Com uma participação de Sidney Magal como a cereja do bolo - tão criativa como os personagens Bruno de André e Luís Ronaldo em Falsa Loura.

    Mas há o outro lado da moeda: a morte de Jean Charles é um acontecimento que tem implicações políticas e reflete a maneira que o Reino Unido conduzia sua política externa, cujas decisões implicaram a série de atentados ocorridos no metrô londrino 15 dias antes do assassinato do brasileiro. Se o roteiro primou por reconstituir a execução de acordo com depoimentos de testemunhas, pecou por colocar o ocorrido e seus desdobramentos em poucos minutos de filme.

    Opção que Goldman tem todo direito de tomar. Mas uma coisa não pode deixar de ser dita: devido a decisões políticas, ocorreram os atentados em Londres. Por conseqüência, a morte de Jean; Ficou um gostinho de que Jean Charles poderia ter ido além nesse assunto.