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    JERSEY BOYS – EM BUSCA DA MÚSICA

    Eastwood perde a mão, mas, afinal, não se acerta sempre
    Por Roberto Guerra
    25/06/2014

    Clint Eastwood já provou ser um bom diretor por vezes. Mas não se acerta sempre, afinal. Não, Jersey Boys – Em Busca da Música (ô, subtítulo infeliz) não é ruim. É agradável e tal. Mas o resultado dessa adaptação de um musical de sucesso na Broadway ficou bem abaixo do esperado. O filme é um melodrama desarmônico, um tanto blasé, que tem dificuldade em explorar a emoção atávica de sua história, apesar de contar com alguns bons momentos pontuais.

    O fato é que falta euforia e arrebatamento ao que foi colocado na frente da câmera. Eastwood perdeu a mão neste filme num nível bastante considerável, embora o longa seja muito bem produzido, com ótima ambientação de época. Mas não vamos ignorar a realidade: Jersey Boys, a despeito de falar de música e músicos, é um filme com claros problemas de ritmo.

    A produção é uma deferência à carreira de uma das bandas norte-americanas de maior sucesso nos anos 1960: Frankie Valli e The Four Seasons, que conquistou o público da época com um sem-número de hits, como Sherry, Big Girls Don't Cry e Walk Like a Man. E é esta a melhor parte do filme, os números musicais, com belas canções que atravessaram gerações e são facilmente identificáveis.

    A trama começa no ano de 1951, quando Tommy DeVito (Vincent Piazza), Nick Massi (Michael Lomenda), Bob Gaudio (Erich Bergen) e Frankie Valli (John Lloyd Young) são ainda jovens moradores de uma Nova Jersey sob forte influência da máfia. O filme segue até 1990, vinte anos após o fim da formação original, quando os quatro são homenageados pelo Rock and Roll Hall of Fame. Aqui o filme dá outra derrapada: o trabalho de envelhecimento dos atores é amador.

    Christopher Walken, ator que gosto, faz uma participação especial no longa vivendo... Christopher Walken. O mafioso que interpreta, nada ameaçador, parece sobrar na trama. Não se consegue levar muito a sério a temeridade que impõe. Personagem se não descartável, mal aproveitado.

    Jersey Boys também peca, principalmente, em não fazer o público perceber que valeu a pena. A banda, e Frankie Valli particularmente, alcançam o sucesso, desfrutam dele, mas passam alguns maus bocados. Mas Eastwood e os roteiristas Marshall Brickman e Rick Elice não conseguem nos fazer achar que foi válido. Chega-se ao final do filme com uma dúvida: Será que Valli foi mais feliz como cantor do que como barbeiro - profissão a qual estava destinado? Difícil dizer.