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    JOÃO E MARIA: CAÇADORES DE BRUXAS

    Versão moderna e adulta da fábula é decepcionante.<br />
    Por Daniel Reininger
    17/01/2013
    2/10

    JOÃO E MARIA: CAÇADORES DE BRUXAS

    14
    Ação

    Admito que a premissa de João e Maria: Caçadores de Bruxas chamou minha atenção. Colocar os dois jovens sobreviventes em busca de vingança contra seres que quase tiraram suas vidas parecia uma boa ideia.

    Quando descobri que o filme seria para adultos, com direito a muito sangue e cenas de nudez, a animação aumentou. Entretanto, os trailers começaram a me preocupar e o desapontamento completo aconteceu já nos primeiros minutos de exibição, quando constatei que seria difícil aguentar 90 minutos daquilo.

    Pois é amigo, a moda de pegar boas histórias (todos conhecem o conto de João e Maria dos irmãos Grimm, certo?) e transformá-las em filmes de ação não está mesmo funcionando. Branca de Neve e o Caçador e Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros já foram torturantes, e olha que o último foi inspirado num livro bem recebido pela crítica literária; e a nova versão de João e Maria segue o mesmo padrão de qualidade e isso não é bom.

    Quando você usa personagens clássicos e os tira de seu lugar comum, o mínimo que se espera é que se fuja dos clichês, mas o filme faz o exato oposto, resultando numa trama fraca que gira em torno da procura por 12 crianças desaparecidas. É claro que a relação dos irmãos com bruxas não é pura coincidência, é obvio que sua mãe tem algo a ver com os eventos enfrentados por eles, a raiva que sentem pelo abandono de seus pais é injustificada e por aí vai.

    Embora filmes óbvios e bobos sejam capazes de divertir, aqui nada funciona. A direção de arte é uma bagunça, a trilha sonora é mal utilizada, as cenas de combate são péssimas e os dois caçadores mais parecem amadores do que os profissionais que deveriam ser. Para piorar, as maquiagens das bruxas são exageradas e tiram a atenção do espectador do que realmente importa.

    Os problemas não param por aí. Filme de ação que dá vontade de dormir é imperdoável. Falta imaginação para as cenas de combate e o humor podia ter sido muito melhor utilizado. Até parece que o diretor Tommy Wirkola (Zumbis na Neve) tenta seguir os passos de Uwe Boll (Em Nome do Rei) na arte de destruir boas histórias.

    Nem os efeitos visuais salvam alguma coisa e a imersão acaba de vez quando você percebe como os cenários são artificiais, quase como se fossem brinquedos de parques de diversões, mesmo problema de Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros. Seria algo intencional para esse subgênero? Só pode.

    É triste constatar ainda que Jeremy Renner (Os Vingadores) se esforça para seguir os passos de Nicolas Cage (A Lenda do tesouro Perdido), com filmes bizarros e atuações inconsistentes. Já a bela Gemma Arterton (Príncipe da Pérsia) exagera ao tentar parecer sexy e bad ass na telona – ela já é linda e podia segurar um pouco a onda. Os protagonistas não estão bem, mas pior estão Famke Janssen (X-Men), uma vilã apática e sem presença na tela, e Peter Stormare (Armageddon), que nunca considerei bom ator, e mantém a mediocridade habitual ao estragar toda cena em que aparece.

    Sem inspiração alguma, João e Maria: Caçadores de Bruxa é uma obra sonolenta, criada como diversão para adultos, mas que falha em sua proposta. O potencial era enorme, tivesse seguido algum caminho mais consistente, como o do Steampunk, e fugido do hábito de Hollywood de fazer ligações improváveis entre os acontecimentos e os protagonistas. Ainda assim, é um bom passatempo para ver com os amigos comendo pipoca e rindo da vergonha alheia.