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    JOGADA DE MESTRE

    Baseado em fatos, filme precisava ir além para empolgar
    Por Daniel Reininger
    28/07/2015

    Filmes baseados em fatos reais, como Jogada De Mestre, saem em desvantagem em relação aos de ficção: já sabemos o final. Então, resta surpreender na forma de contar a história e nas relações entre personagens. Só que essa produção é incapaz de transformar a premissa em algo interessante, afinal, o sequestro pode ter sido algo impressionante para a vida real, mas no cinema é preciso cuidado com diversos elementos para criar uma boa história.

    Os problemas começam com o fato do sequestro central não ser impressionante para os padrões de Hollywood. Além disso, a trama não apresenta reviravoltas e não tem grandes interações entre os personagens. O que sobra? Uma história linear e simplória. Se você nunca ouviu falar do caso, precisa saber que o filme, estrelado por Jim Sturgess, Sam Worthington e Anthony Hopkins, acompanha cinco amigos desesperados que resolvem fazer dinheiro fácil. Eles acabam se envolvendo com o crime organizado e realizam o que seria chamado de o sequestro do século; o alvo: o dono da cervejaria Heineken (Hopkins).

    O maior problema de Jogada de Mestre é seu andamento truncado. Demora demais para o sequestro acontecer e a narrativa é arrastada e tediosa, com cenas mal construídas que tentam desenvolver os personagens, mas não acrescentam nada realmente à história. As coisas até melhoram quando o plano passa a ganhar forma, nos momentos de vigilância e construção da cela onde Heineken ficaria. Mesmo assim, o impacto seria o mesmo se descobríssemos tudo isso em um documentário do Discovery Channel.

    Após o sequestro, o filme se torna (ou tenta) um drama psicológico. Os dias passam, a polícia parece se aproximar do grupo e o Sr. Heineken faz jogos mentais com os sequestradores, tentando desestabilizá-los. O grupo começa a ceder sob a pressão e o plano infalível começa a apresentar falhas humanas. Conflitos entre os personagens passam a deixar o longa um pouco mais interessante a partir daí, mas isso dura pouco e o final é novamente muito problemático.

    Com personagens mal desenvolvidos, as decisões impensadas dos criminosos se tornam difíceis de entender. Tensões mudam de foco e a conclusão é anticlimática. Muito poderia ser cortado, mas o filme, da forma como foi pensado, já não tem muito para apresentar, então se todas as cenas desnecessárias fossem excluídas, teríamos apenas um curta-metragem.

    Apesar da estrutura problemática e inconsistências de tom, o diretor Daniel Alfredson consegue criar uma atmosfera fria e tensa, necessária para o filme. Além disso, as atuações salvam um pouco as coisas. Hopkins esbanja desenvoltura como aristocrata confiante de si mesmo e é uma pena que não tenha mais tempo na tela. Já Sturgess e Worthington trabalham bem juntos.

    Jogada de Mestre, cujo título brasileiro deve esconder a história real por trás de sua trama e pegar muita gente de surpresa, poderia ser um grande filme se focasse nos elementos certos: criação do plano e desenvolvimento emocional dos personagens após o sequestro. No final, passa tempo demais com cenas descartáveis, responsáveis pela falta de fluidez que tanto atrapalha a narrativa.