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    JOGO DO DINHEIRO

    Filme traz crítica sobre a sociedade do espetáculo
    Por Iara Vasconcelos
    24/05/2016

    O mercado financeiro virou o assunto favorito de Hollywood. Depois do ousado A Grande Aposta, que acompanhava os bastidores da bolha imobiliária que estourou durante a crise americana de 2008, chegou a vez de Jodie Foster fazer uma crítica ferrenha à indústria do entretenimento usando a Wall Street como pano de fundo, em seu quarto filme como diretora.

    Na trama, o carismático apresentador Lee Gates (George Clooney) é conhecido pelas performances descontraídas durante o seu programa "Money Monster", em que analisa a bolsa de valores e recomenda os melhores investimentos para o público mais "leigo".

    Durante uma transmissão ao vivo, Lee é feito de refém por Kyle Budwell (Jack O'Connell), que investiu tudo o que tinha nas ações de uma empresa considerada "mais segura que a poupança", entretanto perde o dinheiro. Ele exige que toda a situação vá ao ar, obrigando a produtora e diretora Patty (Julia Roberts) e sua equipe a dirigirem todos os movimentos do apresentador através do ponto eletrônico.

    Mesmo com a Wall Street como base de seu argumento, a crítica de Jogo do Dinheiro se concentra na sociedade do espetáculo, principalmente sobre o poder da mídia sobre o público, e dos ditos influenciadores, que é enorme. Não só a influência cega é prejudicial, a exploração sensacionalista da mídia em cima de determinados casos também é repreensível.

    O jornalismo atual, que valoriza mais o impacto e o entretenimento em detrimento da informação precisa, também é um fator crítico nessa análise. Além disso, os jargões do mercado financeiro são traduzidos de forma simplificada para o grande público.

    Foster consegue utilizar o humor de forma natural mesmo em uma trama tensa, fazendo com que a história não se torne cansativa. No entanto, o filme falha em demonstrar a noção de tempo para o espectador, o que é muito importante em uma trama de sequestro. Não há como saber quanto tempo dura toda a operação, visto que dentro do estúdio de filmagens a narrativa ocorre de forma lenta, enquanto fora o ritmo é mais acelerado.

    Entretanto, toda a situação pode parecer um tanto irreal, já que fica nítido que Kyle não passa de um garoto assustado, que não tem poder de colocar a vida de ninguém em risco. É nítido como Kyle passa de vilão à (quase) mocinho à medida que conhecemos mais seus dramas pessoais, o próprio Lee Gates começa a criar empatia com ele, mas isso quebra a sensação de tensão, exatamente o fator que alimentaria o filme.

    Pode-se dizer que Jogo do Dinheiro tem uma premissa cativante, entretanto perde o brilho em certo momento, tornando-se emotivo demais.