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    JOGOS MORTAIS

    Por Angélica Bito
    04/02/2005

    Acredito que Seven - Os Sete Crimes Capitais é um dos melhores e mais inventivos filmes de serial killer já feitos. Por isso, quando Jogos Mortais chegou aqui sendo comparado a este filme de 1995, logo fiquei com o pé atrás. O que é natural. Afinal, as comparações, mais do que situar o espectador que não sabe do que se trata a obra, podem limar qualquer surpresa ou expectativa. Devo admitir, no entanto, que este filme dirigido por James Wan fez por merecer o reconhecimento que tem ganhado: o longa independente custou US$ 1,2 milhões e rendeu, somente no primeiro final de semana em cartaz nos EUA, mais de US$ 18. Isso só prova que os fãs de suspense realmente andam sentindo falta de um bom roteiro como este, que mexe não somente com a inteligência dos realizadores, mas também do espectadore.

    Os "jogos mortais" do título são praticados por um assassino que, assim como o de Seven, tem motivações redentoras. Na prática, não se trata de um assassino. Afinal, ele coloca suas vítimas em situações torturantes o bastante para que elas cometam suicídio a fim de escapar delas. Eis que somos apresentadas a duas delas: o cirurgião Gordon (Cary Elwes) e Adam (Leigh Whannell) acordam acorrentados em um banheiro caindo aos pedaços. Eles não se conhecem, também não fazem idéia do motivo de estarem ali, mas entram no jogo do sádico assassino, que assiste a tudo da primeira fila. Ele apresenta as regras e os motivos do jogo em uma fita cassete, entregue a cada uma das vítimas, e as razões acabam sempre caindo em uma prerrogativa: algumas pessoas são muito ingratas para continuarem vivas.

    Logo o dr. Gordon percebe do que se trata aquele teatro: ele teve contato com esse criminoso quando a polícia chegou a seu hospital a fim de investigar o caso quando sua caneta foi encontrada no local de um dos crimes. Acusado de ser o assassino, Gordon teve de revelar a identidade de uma amante como álibi, tendo, ainda, a chance de ouvir o depoimento da única vítima que conseguiu escapar do maluco, uma viciada em drogas que teve de matar um homem e procurar em suas entranhas uma chave que abriria um dispositivo pronto para explodir seu crânio (ui!). Por meio flashbacks, descobrimos o motivo dos dois estarem acorrentados naquele banheiro e, também, a identidade do assassino, perseguido por um detetive atormentado (Danny Glover) depois de ter perdido seu parceiro, morto por uma das armadilhas do serial killer.

    Jogos Mortais não apresenta muitos elementos novos em se tratando de filmes de suspense. O que ele traz, e que fazia muita falta aos fãs de filmes de suspense, não é novo, mas parece perdido entre as últimas produções do gênero: o jogo com a mente do espectador. Nem mesmo a fraquíssima performance de um dos protagonistas (Elwes, no caso) ou a reciclagem de clichês do gênero é capaz de apagar o bom roteiro. As situações propostas pela história escrita por James Wan e Leigh Whannell (que interpreta Adam) têm o sadismo encontrado em filmes como o já citado Seven. O desfecho é esperto o suficiente para fazer com que o espectador pense na identidade do assassino desde o começo.

    Assim, Jogos Mortais é um sopro de frescor meio requentado nas produções do gênero. E, no fim das contas, cumpre o papel que os fãs dos suspenses sentem falta ultimamente ao brincar com sua mente. Como o assassino que marca suas vítimas com uma peça de quebra-cabeças.