JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL

JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL

(The Hunger Games: Mockingjay - Part 2)

2015 , 137 MIN.

12 anos

Gênero: Aventura

Estréia: 19/11/2015

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Francis Lawrence

    Equipe técnica

    Roteiro: Danny Strong, Peter Craig

    Produção: Jon Kilik, Nina Jacobson

    Fotografia: Jo Willems

    Trilha Sonora: James Newton Howard

    Estúdio: Color Force, Lionsgate

    Montador: Alan Edward Bell, Mark Yoshikawa

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Donald Sutherland, Elden Henson, Elizabeth Banks, Evan Ross, Gwendoline Christie, Jeffrey Wright, Jena Malone, Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Julianne Moore, Liam Hemsworth, Mahershala Ali, Meta Golding, Michelle Forbes, Natalie Dormer, Omid Abtahi, Patina Miller, Philip Seymour Hoffman, Robert Knepper, Sam Claflin, Stanley Tucci, Stef Dawson, Stephanie Tyler Jones, Toby Jones, Wes Chatham, Willow Shields, Woody Harrelson

  • Crítica

    16/11/2015 18h01

    Por Daniel Reininger

    A Esperança – O Final chega para encerrar a luta de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) contra a opressora Capital. Embora possua momentos ótimos e sombrios, o longa sofre com a divisão do livro em duas partes e é o mais fraco da franquia. Diferente de A Esperança - Parte 1, que também é uma narrativa incompleta, a sequência sofre pelo exagero de momentos descartáveis e problemas de ritmo, os quais impedem o fluxo da trama. Entretanto, o maior problema é o final dado a Katniss, que embora condizente com o livro, vai contra tudo que ela provou ser ao longo de quatro filmes.

    Como dito na crítica de Esperança - Parte 1, a divisão do terceiro livro de Suzane Collins não é justificável. Era possível (e até recomendável) enxugar algumas cenas para encerar a franquia em apenas um filme. Infelizmente, Hollywood precisa de dinheiro e fazer dois produtos inchados ao invés de apenas uma obra bem feita é mais lucrativo. Esse problema não é novidade, mas a diferença de ritmo em relação ao antecessor é uma surpresa.

    Na trama, Katniss  fecha o cerco a Snow, mas descobre que o jogo político vai além de rebeldes e opressores. Novamente, a forma como a imagem de Everdeen é usada é extremamente manipuladora e nos faz questionar o quanto o lado rebelde é diferente da Capital, que fazia o mesmo quando a protagonista era uma das queridinhas dos fãs dos Jogos. Sem falar que o Distrito 13 não parece tão democrático como gosta de declarar. Entretanto, lá está ela, mais uma vez, agindo com o coração e enfrentando problemas épicos.

    Katniss sempre foi uma heroína de oportunidade, sua coragem está em aguentar situações impossíveis com tranquilidade e fazer o que é preciso para conquistar seus objetivos. Ela nunca foi uma pensadora ou uma líder, porém, sempre foi uma mulher forte, decidida e inteligente o suficiente para saber qual é seu papel na guerra. Sem falar que poucas pessoas sobreviveriam aos trauma que essa garota sofreu e continuariam adiante. E essa é a força dela, algo jogado fora por Suzanne Collins e Francis Lawrence (por manter o final) nos minutos finais da obra.

    Infelizmente, Katniss não é a única a sofrer problemas de desenvolvimento. O bom trabalho que Esperança - Parte 1 fez ao mostrar a evolução dos personagens de Josh Hutcherson (Peeta) e Liam Hemsworth (Gale) simplesmente foi ignorado – ambos perdem relevância e o trio amoroso que nunca ganhou muito espaço, aparece mais do que deveria nessa produção. Além disso, Elizabeth Banks, sempre alívio cômica da franquia como Effie, praticamente some e o mesmo acontece com Woody Harrelson, apesar dele ter uma grande cena, construída para substituir o falecido Phillip Seymour Hoffman.

    É verdade que a série ainda é a mais significativa das obras infanto-juvenis e Katniss é um marco não só para esse gênero. Entretanto, esse final deve agradar principalmente aos fãs da obra, enquanto pode entediar o restante do público, afinal, a escolha de fazer um filme de guerra sem profundidade e sem focar no companheirismo entre membros de esquadrão cria problemas narrativos e mostra falta de inspiração para a conclusão. Membros do time da protagonista parecem estar lá apenas para morrerem em seu lugar e a própria Katniss parece mais preocupada com si mesma do que com o resultado da guerra ou o bem estar de seus amigos.

    A volta de elementos das arenas dos Jogos Vorazes, como seres híbridos, armadilhas e outras situações vistas nos primeiros filmes também tiram a imersão, afinal Katniss passa mais tempo fugindo de situações construídas pelos organizadores de jogos, as quais não apresentam surpresa alguma, afinal são detectadas por um mapa high-tech com antecedência, do que lidando com problemas mais urgentes (e interessantes).

    Ao menos, a crítica à mídia continua relevante como sempre. O diretor Francis Lawrence transforma a guerra em um show, com o objetivo de conquistar os corações e mentes dos civis, cujo apoio pode ajudar a definir o resultado final. A ideia de gravar cada momento da batalha e usar cenas dela para fazer propaganda é algo monstruoso, porém, totalmente plausível e relevante.

    Jogos Vorazes se tornou algo incrível por ser capaz de divertir apesar do clima sombrio e por tratar de temas como fascismo, revolução, guerra, política, manipulação da mídia e fanatismo de forma madura e inteligente. E mais, faz tudo isso com uma protagonista forte e carismática. O fato desse encerramento não ser tão bom quando gostaríamos, ainda mais depois de Esperança - Parte 1 surpreender, é apenas um deslize numa franquia que tem tudo para marcar uma geração. Esse último filme poderia, sim, ser melhor. Entretanto, está longe de ser uma obra rasa e esquecível.



Deixe seu comentário
comments powered by Disqus