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    JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL

    Encerramento é o mais fraco de uma grande franquia
    Por Daniel Reininger
    16/11/2015
    6/10

    JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL

    12
    Aventura

    A Esperança – O Final chega para encerrar a luta de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) contra a opressora Capital. Embora possua momentos ótimos e sombrios, o longa sofre com a divisão do livro em duas partes e é o mais fraco da franquia. Diferente de A Esperança - Parte 1, que também é uma narrativa incompleta, a sequência sofre pelo exagero de momentos descartáveis e problemas de ritmo, os quais impedem o fluxo da trama. Entretanto, o maior problema é o final dado a Katniss, que embora condizente com o livro, vai contra tudo que ela provou ser ao longo de quatro filmes.

    Como dito na crítica de Esperança - Parte 1, a divisão do terceiro livro de Suzane Collins não é justificável. Era possível (e até recomendável) enxugar algumas cenas para encerar a franquia em apenas um filme. Infelizmente, Hollywood precisa de dinheiro e fazer dois produtos inchados ao invés de apenas uma obra bem feita é mais lucrativo. Esse problema não é novidade, mas a diferença de ritmo em relação ao antecessor é uma surpresa.

    Na trama, Katniss  fecha o cerco a Snow, mas descobre que o jogo político vai além de rebeldes e opressores. Novamente, a forma como a imagem de Everdeen é usada é extremamente manipuladora e nos faz questionar o quanto o lado rebelde é diferente da Capital, que fazia o mesmo quando a protagonista era uma das queridinhas dos fãs dos Jogos. Sem falar que o Distrito 13 não parece tão democrático como gosta de declarar. Entretanto, lá está ela, mais uma vez, agindo com o coração e enfrentando problemas épicos.

    Katniss sempre foi uma heroína de oportunidade, sua coragem está em aguentar situações impossíveis com tranquilidade e fazer o que é preciso para conquistar seus objetivos. Ela nunca foi uma pensadora ou uma líder, porém, sempre foi uma mulher forte, decidida e inteligente o suficiente para saber qual é seu papel na guerra. Sem falar que poucas pessoas sobreviveriam aos trauma que essa garota sofreu e continuariam adiante. E essa é a força dela, algo jogado fora por Suzanne Collins e Francis Lawrence (por manter o final) nos minutos finais da obra.

    Infelizmente, Katniss não é a única a sofrer problemas de desenvolvimento. O bom trabalho que Esperança - Parte 1 fez ao mostrar a evolução dos personagens de Josh Hutcherson (Peeta) e Liam Hemsworth (Gale) simplesmente foi ignorado – ambos perdem relevância e o trio amoroso que nunca ganhou muito espaço, aparece mais do que deveria nessa produção. Além disso, Elizabeth Banks, sempre alívio cômica da franquia como Effie, praticamente some e o mesmo acontece com Woody Harrelson, apesar dele ter uma grande cena, construída para substituir o falecido Phillip Seymour Hoffman.

    É verdade que a série ainda é a mais significativa das obras infanto-juvenis e Katniss é um marco não só para esse gênero. Entretanto, esse final deve agradar principalmente aos fãs da obra, enquanto pode entediar o restante do público, afinal, a escolha de fazer um filme de guerra sem profundidade e sem focar no companheirismo entre membros de esquadrão cria problemas narrativos e mostra falta de inspiração para a conclusão. Membros do time da protagonista parecem estar lá apenas para morrerem em seu lugar e a própria Katniss parece mais preocupada com si mesma do que com o resultado da guerra ou o bem estar de seus amigos.

    A volta de elementos das arenas dos Jogos Vorazes, como seres híbridos, armadilhas e outras situações vistas nos primeiros filmes também tiram a imersão, afinal Katniss passa mais tempo fugindo de situações construídas pelos organizadores de jogos, as quais não apresentam surpresa alguma, afinal são detectadas por um mapa high-tech com antecedência, do que lidando com problemas mais urgentes (e interessantes).

    Ao menos, a crítica à mídia continua relevante como sempre. O diretor Francis Lawrence transforma a guerra em um show, com o objetivo de conquistar os corações e mentes dos civis, cujo apoio pode ajudar a definir o resultado final. A ideia de gravar cada momento da batalha e usar cenas dela para fazer propaganda é algo monstruoso, porém, totalmente plausível e relevante.

    Jogos Vorazes se tornou algo incrível por ser capaz de divertir apesar do clima sombrio e por tratar de temas como fascismo, revolução, guerra, política, manipulação da mídia e fanatismo de forma madura e inteligente. E mais, faz tudo isso com uma protagonista forte e carismática. O fato desse encerramento não ser tão bom quando gostaríamos, ainda mais depois de Esperança - Parte 1 surpreender, é apenas um deslize numa franquia que tem tudo para marcar uma geração. Esse último filme poderia, sim, ser melhor. Entretanto, está longe de ser uma obra rasa e esquecível.